A ironia e o medo de Soraia Moreira perante um mercado de trabalho em Portugal
Vencedora do Big Brother teme voltar a acordar às 4 da manhã

Num desabafo honesto nas redes sociais, a ex-concorrente confessou o medo de ter de trocar os sonhos em Portugal pela dura rotina da capital britânica.
Soraia Moreira venceu o “Big Brother 2020”, conquistou o público e, recentemente, concluiu um mestrado em comunicação. No entanto, o currículo académico e a notoriedade parecem não ser suficientes para travar o fantasma da emigração.
Londres foi recentemente eleita a cidade com o pior trânsito do mundo, um dado estatístico que, para Soraia Moreira, não é apenas um número, mas uma memória física de exaustão. A vencedora do reality show da TVI reagiu à notícia recordando os anos em que viveu no Reino Unido, onde a logística diária era uma prova de resistência: “Acordava às 04:00 horas da manhã, para sair do trabalho às 18:00 e chegar a casa quase às 21:00”, revelou.
Apesar da visibilidade conquistada na televisão, Soraia encara agora a possibilidade de ter de regressar a uma vida que acreditava ter deixado para trás. O motivo? Um mercado de trabalho na área da comunicação que parece oferecer mais promessas do que estabilidade.
“Eram 06:00 da manhã e já estava a levar cotoveladas no metro. Se as coisas não resultarem para mim, vou ter de voltar a essa vida. Não é o fim do mundo, mas não quero“, confessou, num tom que espelha a ansiedade de muitos jovens qualificados em Portugal. A partilha surge num momento em que a ex-concorrente procura ativamente uma oportunidade na sua área de formação, após o investimento académico no mestrado.
Com uma ponta de ironia – ingrediente comum a quem possa lidar com a frustração das expectativas – Soraia questionou as escolhas profissionais que a trouxeram até aqui. O brilho da televisão, sugere, é muitas vezes uma fachada para uma realidade financeira complexa.
“Com algumas propostas de trabalho que recebo, às vezes questiono-me por que segui o meu sonho e não fui para engenharia“, desabafou. Num remate que serve de metáfora para a precariedade do setor, citou o que parece ser um estigma da profissão: “‘Trabalhas em televisão, mas vives a pão e água’. Obviamente, em tom de brincadeira: é um eufemismo“.
Para Soraia, o regresso a Londres seria o plano de contingência, mas a confissão deixa um aviso implícito: o de que nem o sucesso mediático protege contra as falhas de um sistema que raramente recompensa o mérito académico na área das artes e comunicação.