O ator Eric Dane morreu na passada quinta-feira, dia 19 de fevereiro, aos 53 anos.
Ele era mundialmente conhecido pelo seu papel na série Anatomia de Grey, perdeu a vida na sequência de uma batalha contra a esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva cujo diagnóstico tinha sido tornado público há apenas dez meses.
Após a confirmação da morte, a plataforma de streaming Netflix disponibilizou um documentário póstumo intitulado Famous Last Words: Eric Dane. Ao longo de 50 minutos, o ator mantém uma conversa intimista com o produtor e apresentador Brad Falchuk. O projeto foi gravado em absoluto segredo e tinha como condição rigorosa apenas ser lançado após a morte do artista.
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Nesta derradeira entrevista, Eric Dane recorda a sua carreira e aborda aspetos profundos da sua vida pessoal. O ator revelou o impacto devastador que a morte do pai teve em si quando tinha apenas sete anos. Ainda confessou que escrevia cartas ao progenitor, que tirou a própria vida, e que desde esse momento trágico teve de lutar para conseguir conectar-se emocionalmente com as outras pessoas.
O documentário explora ainda a sua relação com a ex-mulher, a atriz Rebecca Gayheart, a separação do casal e as duras batalhas que travou no passado contra o vício em drogas e álcool. Contudo, o momento de maior emoção foi reservado para o final da emissão, quando o ator se dirigiu diretamente às duas filhas, Billie, de 15 anos, e Georgia, de 14.
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Numa mensagem de despedida arrepiante, Eric Dane começou por recordar os momentos felizes em família: “Eu tentei. Tropecei algumas vezes, mas tentei. No geral, divertimo-nos muito, não foi? Lembro-me de todos os momentos que passámos na praia. Vocês as duas, eu e a mãe em Malibu, Santa Monica, México. Vejo-vos agora a brincar no oceano por horas, minhas filhas aquáticas. Aqueles dias foram um paraíso”.
O ator deixou de seguida quatro conselhos fundamentais para o futuro das jovens: “Quero partilhar quatro coisas que aprendi com esta doença, e espero que vocês não apenas me ouçam. Espero que me escutem. Primeiro, vivam agora, neste exato momento, no presente. É difícil, mas aprendi a fazer isso. Durante vários anos eu perdia-me em pensamentos, nos meus próprios pensamentos por longos períodos, afundado em preocupação, autopiedade, vergonha e dúvida. Repassava decisões, questionava as minhas ações. Chega. Por pura sobrevivência, sou obrigado a permanecer no presente. Mas eu não quero estar em nenhum outro lugar. O passado traz arrependimentos. O futuro é incerto. Então precisam de viver o agora. O presente é tudo o que vocês têm. Valorizem-no. Apreciem cada momento”.
A segunda lição focou-se na importância de encontrar um propósito de vida: “Em segundo lugar, apaixonem-se. Não necessariamente por uma pessoa, embora eu também recomende isso. Mas apaixonem-se por algo. Encontrem a vossa paixão, a vossa alegria. Encontrem aquilo que vos dá vontade de levantar da cama de manhã. Que vos impulsiona durante todo o dia. Eu apaixonei-me pela representação. Esse amor ajudou-me a superar os meus momentos mais sombrios, os meus dias mais difíceis, o meu ano mais difícil”.
Sobre as relações interpessoais, o artista aconselhou as filhas a rodear-se das pessoas certas: “Escolham os seus amigos com sabedoria. Encontrem as pessoas certas e permitam que elas vos encontrem, e então entreguem-se a elas. Os melhores entre vocês retribuirão. Sem julgamentos. Sem condições. Sem perguntas. Sou muito grato pela minha família e amigos mais próximos. Cada um deles apoiou-me. Amem os vossos amigos com tudo o que vocês têm. Agarrem-se a eles. Eles vão-vos entreter, guiar, apoiar e alguns vão salvar-vos”.
Na conclusão da mensagem, o ator pediu que encarassem os obstáculos com a mesma força com que ele enfrentou a sua doença terminal: “Finalmente, lutem com todas as vossas forças e com dignidade. Quando enfrentarem desafios, sejam de saúde ou de qualquer outra natureza, lutem. Nunca desistam. Lutem até o último suspiro. Esta doença está a consumir o meu corpo, mas jamais consumirá o meu espírito. Vocês duas são pessoas diferentes. Mas são fortes e resilientes, herdaram a resiliência de mim. Esse é o meu superpoder. Então, quando algo inesperado vos acontecer, e vai acontecer, porque essa é a vida, lutem e encarem com honestidade, integridade e elegância, mesmo que pareça ou soe insuperável. Espero ter demonstrado que vocês podem enfrentar qualquer coisa. Lutem, meninas, e mantenham a cabeça erguida”.
A despedida terminou com uma declaração de amor incondicional perante as câmaras: “Billie e Georgia, vocês são o meu coração. Vocês são o meu tudo. Boa noite. Eu amo-vos. Estas são as minhas últimas palavras”.
O impacto da perda de Eric Dane foi sentido por toda a comunidade de Hollywood. Patrick Dempsey, ex-colega com quem contracenou em Anatomia de Grey, prestou uma sentida homenagem pública e revelou pormenores sobre os últimos dias do amigo.
O ator confidenciou que o estado de saúde de Dane se deteriorou de forma drástica e rápida, explicando que o artista já se encontrava acamado, com extremas dificuldades em engolir e a perder a capacidade de falar.
Ainda assim, Dempsey enalteceu a sua enorme coragem e bravura por ter dedicado os seus momentos finais a trazer luz e consciencialização global para a luta contra a ELA.