Ana Barbosa critica Ruth Marlene e Jéssica Portugal pela exposição do pai
O SNS no banco dos réus após o desespero das filhas de Júlio Alves
O internamento de Júlio Alves, pai das cantoras Ruth Marlene e Jéssica Portugal, tornou-se o centro de um debate ético sobre os limites da exposição nas redes sociais.
Enquanto Daniel Nascimento aponta o dedo a um “sistema defeituoso”, Ana Barbosa considera “deselegante” a partilha de imagens de um homem fragilizado. A verdade é que o estado de saúde de Júlio Alves, pai de Ruth Marlene e Jéssica Portugal, saltou das paredes do Hospital do Barreiro para o centro do debate público.
Após uma fratura na perna que tarda em ser operada, as filhas decidiram denunciar a situação através de um vídeo onde o progenitor surge em visível sofrimento – uma estratégia de pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que está a gerar uma onda de discórdia entre os comentadores televisivos.
No programa “Tarde das Estrelas”, da CMTV, a discussão subiu de tom quando a necessidade de denunciar as falhas do Estado colidiu com o direito à privacidade do doente e para a comentadora Ana Barbosa, a intenção de pedir ajuda não justifica a natureza das imagens partilhadas “Eu não concordo com o Zé Gouveia, na medida de expor o pai desta forma. O pai via-se perfeitamente que não estava… Ele até disse: ‘eu não posso falar’. Ele não estava a conseguir nem sequer quase falar“, começou por sublinhar Ana Barbosa.
A comentadora defende que a influência digital das cantoras poderia ter sido usada de forma mais contida, preservando a imagem do pai: “Ela podia muito bem estar lá fora e dizer: ‘olha, o meu pai está aqui internado, está a acontecer isto’. Mas expor assim o pai… Eu, muito sinceramente, não o faria. Acho que foi mesmo muito deselegante. Choca-me ver uma pessoa que está ali a sofrer.”
Se a forma da denúncia é questionável para uns, o conteúdo da mesma é, para outros, um retrato fiel de uma crise sistémica. Daniel Nascimento não poupou críticas à gestão da saúde em Portugal, embora tenha concordado com a reserva quanto à exposição da imagem “A imagem não retrata o problema. Se ela tivesse feito um vídeo a explicar o que está a acontecer, teria exatamente o mesmo efeito“, considerou o comentador, desviando depois o foco para a tutela “Estes problemas na saúde são recorrentes. Já vimos problemas com grávidas, partos em ambulâncias, três mortes só esta semana à espera de socorro. E continuamos a assistir.”
Para Daniel Nascimento, o caso de Júlio Alves é apenas a face visível de uma realidade que atravessa o país, independentemente do estatuto social: “Ser figura pública nessas alturas vale rigorosamente zero. Aquilo que estamos a ver é recorrente, infelizmente. O Zé Gouveia disse muito bem: não é normal, mas é o que acontece.”
Apesar da dureza das críticas ao estado do setor, houve o cuidado de separar a gestão política da prática clínica. Os comentadores foram unânimes em salvaguardar o papel dos profissionais de saúde que lidam com a escassez de meios “É preciso dizer que se faça aqui uma vénia aos médicos e aos enfermeiros. Isto não é uma crítica a eles, porque eles fazem milagres. Fazem o que podem com os recursos que têm, que é quase zero“, afirmou Daniel Nascimento, sendo secundado por Zé Gouveia: “Eles fazem parte de um sistema defeituoso.”
Jéssica Antunes, também presente no painel, reforçou a ideia de que o foco deveria estar na eficácia da reclamação e não no choque visual: “Em vez de se dar foco ao problema em si, as pessoas criticam pela exposição que fazem do pai, que está visivelmente frágil. Espero que a queixa no livro de reclamações não tenha sido descurada, porque isso, sim, vai fazer a diferença.”
Enquanto a família aguarda uma transferência para o setor privado ou a marcação da cirurgia no público, o caso fica como um lembrete amargo da vulnerabilidade do cidadão comum, e do debate ético sobre até onde se deve ir para garantir um direito fundamental.
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