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André Ventura em aceso debate com Cláudio Ramos sobre ciganos: “Se calhar vai ser mais um processo, mas eu vou dizer à mesma”

Confrontado por Cláudio Ramos sobre a necessidade de mão de obra imigrante, o líder do Chega respondeu com uma das suas frases mais polémicas. Ventura defende que a solução está em pagar melhor aos portugueses e acabar com os subsídios que mantêm jovens "sem fazer nada em casa".

A entrevista de André Ventura no Dois às 10 continuou em tom de confronto ideológico, com Cláudio Ramos a tocar em pontos sensíveis do programa do candidato, nomeadamente a imigração e a comunidade cigana.

O apresentador questionou a narrativa de que os imigrantes são um “bicho-papão”, lembrando que estes contribuem significativamente para a Segurança Social e realizam trabalhos essenciais. Ventura rejeitou o argumento de que vêm “roubar trabalho”, classificando-o como “infantil”, mas manteve a sua posição crítica sobre o modelo atual.

Para o líder do Chega, a chave está nos salários, argumentando que “se nós pagarmos melhor aos portugueses, nós precisamos menos de importação de mão de obra”. Quando Cláudio Ramos contrapôs que os portugueses, mesmo com melhores salários, não querem desempenhar certas funções, Ventura lançou um aviso severo sobre o futuro demográfico e social: “Se importamos o Terceiro Mundo, tornamo-nos o Terceiro Mundo. Temos que perceber isso”.

A conversa derivou rapidamente para o tema da subsidiodependência, com André Ventura a pintar um cenário negro da juventude portuguesa. O candidato afirmou que existe uma “cultura dramática, terrível, de subsídio à dependência”, onde jovens saudáveis preferem “estar sem fazer nada em casa” a trabalhar. Ventura criticou a Lei de Bases da Segurança Social, considerando incompreensível que se apoie quem não quer fazer nada em detrimento de quem tem deficiências ou necessidades especiais.

Foi neste contexto que Cláudio Ramos introduziu a questão da comunidade cigana, perguntando o significado dos polémicos cartazes do partido. O candidato do Chega não recuou, admitindo que as suas palavras podem ter consequências legais, mas que não se calará: “Se calhar vai ser mais um processo, mas eu vou dizer à mesma, há um padrão de incumprimento de leis na comunidade cigana”.

O debate intensificou-se quando Cláudio Ramos usou o exemplo da sua terra natal, Elvas, para defender que “há ciganos bons e ciganos maus”, recusando generalizações. Ventura rebateu imediatamente, afirmando que em Elvas há “queixas por todo o lado” e associando as comunidades ciganas enraizadas a “comportamentos de agressões, de assaltos, de assédio nas escolas”.

O candidato questionou o falhanço na integração de uma comunidade com 500 anos de história em Portugal, culpando tanto o sistema, que os trata como “coitadinhos“, como a própria comunidade, que “nunca se quis integrar”. Ventura tocou ainda na ferida dos casamentos infantis, questionando o papel da CPCJ: “Onde é que anda a CPCJ? Que é tão honesta a ir tirar os filhos a pessoas da classe média… e por que é que não vai investigar-nos também?”.

Na reta final, Cláudio Ramos tentou encontrar pontos positivos, perguntando o que está bem no país. André Ventura foi taxativo ao dizer que “há muito pouca coisa que está bem“, apesar de garantir que ama Portugal. O apresentador, recorrendo à sua história de vida e à falta de água canalizada na infância, defendeu que houve evolução, mas Ventura focou-se no êxodo jovem.

O candidato presidencial lamentou que tantos tenham de emigrar à procura de uma vida melhor, questionando como se pode aceitar que um país evolua quando “30 ou 40% tiveram que ir para fora”. O confronto de ideias terminou com ambos a concordarem num ponto: cada um, à sua maneira, estava ali a defender o seu país.

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