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António Bravo relata cenário de guerra e angaria 13 mil euros: “Pessoas com a cabeça de fora dos telhados”

Com 13 mil euros angariados para ajudar as vítimas do mau tempo, o ex-concorrente do Big Brother revelou a dificuldade em comprar materiais de construção. Bravo falou ainda sobre a crise na habitação e o exemplo ético da sua família.

O programa Bom dia Alegria recebeu esta manhã António Bravo, que se tem destacado nas últimas semanas por uma onda de solidariedade incansável em prol das vítimas do mau tempo que assolou o país.

Em conversa com Merche Romero, o ex-concorrente do Big Brother fez um balanço emotivo e detalhado da sua ação no terreno, que já permitiu angariar cerca de 13 mil euros.

Questionado sobre se sente impotência ou vontade de desistir perante a dimensão da catástrofe, António foi perentório na resposta, garantindo que o cansaço não o vence. “Sim, eu não desisto nem pouco mais ou menos. Nestas últimas duas semanas não estive tão ativo porque eu trabalho. Posso faltar dias, mas tenho que retomar, não posso deixar coisas penduradas porque as coisas têm que avançar”, explicou, revelando que a estratégia agora mudou.

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Segundo o comentador, a fase da comida já passou e o problema agora é logístico e de reconstrução. “Agora é muito difícil para nós, não é ser difícil, mas quando tu percebes que já têm comida… nós chegávamos a lojas grandes de construção e já não havia nada, chegávamos aos sítios cheios de coisas. Para onde é que nós vamos canalizar isto?”, questionou, adiantando que o objetivo é contratar mão de obra especializada para recuperar telhados.

A conversa tomou um rumo mais profundo quando se falou da crise na habitação e de famílias a perderem as casas. António Bravo, que trabalha no ramo imobiliário, fez uma análise dura sobre o impacto do turismo e a ganância de alguns promotores que não olham a meios. “Vejo o boom do turismo a expulsar muita gente, de casas, de lojas, jovens, pessoas idosas, que têm rendas de 100, 200 euros e de repente vem um promotor imobiliário, vê ali uma oportunidade de milhões: ‘Ó minha senhora peço-lhe imensa desculpa, mas vai ter que sair, porque eu desses 200 euros posso transformar em não sei quantos milhões'”, lamentou.

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Em contraste, partilhou o exemplo da sua própria família, que mantém um inquilino antigo, provando que o dinheiro não é tudo. “Temos um prédio que tem uma loja em específico que o senhor já lá está há 20 anos… temos perfeita noção de que podemos cobrar muito mais do que aquilo que estamos a cobrar, mas ele sempre foi tão impecável connosco… Achas que o vamos tirar dali? Porque às tantas, não é o extra que vai fazer a diferença”, defendeu.

Sobre o cenário que encontrou nas aldeias mais isoladas e esquecidas pelas televisões, António Bravo não poupou nos detalhes chocantes, descrevendo uma realidade de desespero absoluto. “Fui ver um seminário com 300 anos completamente arrasado, casas, pessoas com a cabeça de fora dos telhados, a tentar pôr as telhas, a tentar pôr as lonas, e acima de tudo era o ar de desespero… Diziam-me que queriam muito mão de obra especializada, que é o mais difícil de encontrar”, contou.

António relatou ainda a tristeza de ver idosos que perderam o trabalho de uma vida e que agora dormem em condições precárias. “Muitos deles têm ali o trabalho de uma vida, numa casa, que, de repente, a casa existe, mas não tem telhado, entrou-lhe chuva, estragaram tudo o que eles compraram durante a vida e, de repente, estão sem luz durante 13 dias ou mais. Não têm camas, não podem cozinhar”, descreveu com emoção.

Um dos momentos mais críticos da entrevista foi a denúncia sobre o aproveitamento comercial da tragédia. António Bravo revelou que os 13 mil euros angariados, embora pareçam muito, desaparecem rapidamente devido à especulação. “13 mil euros é muito giro se fores gastá-los só em supermercado, claro, enche muitos carrinhos… Mas depois que começas a ir a lojas de construção e queres levar tudo o que seja cimento, tudo o que seja telhas… E é caríssimo. E o lado mau que eu vi é que as pessoas aproveitam-se para subir os preços. Como a procura aumenta, o preço também aumenta”, atirou.

Apesar das dificuldades e de alguns comentários negativos nas redes sociais, o balanço é de orgulho na solidariedade nacional. “Tenho muito orgulho em ser português porque eu acho que é nestas alturas que o povo mais se une. E as pessoas, eu vou-te dar a quantidade de mensagens que eu recebi de pessoas que estavam a trabalhar: ‘eu tiro dois dias, eu tiro três dias, diz-me o que é que eu preciso fazer'”, concluiu.

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