Cabelos soltos e braços cruzados: A rebeldia de Kina perante o fenómeno Filipe Delgado
Na 1ª Companhia, o ego pode ser o inimigo
Enquanto Filipe Delgado conquista camaradas e comandantes com um misto de ingenuidade e liderança improvisada, Kina refugia-se no sofá e na crítica.
A hierarquia militar exige disciplina, mas na “1ª Companhia” da TVI, as ordens parecem pesar mais para uns do que para outros. Kina, a primeira a assumir o comando na estreia do programa, enfrenta agora o desafio de ser liderada por Filipe Delgado, o recruta que se torna um dos favoritos do público. Entre o cansaço visível e a recusa em aceitar o protagonismo do colega, a tensão na caserna subiu de tom e chegou ao painel de comentadores.
A imagem de Kina “deitadita no sofá” enquanto o resto do quartel fervilha deu o mote para a análise de Marta Cardoso e dos seus comentadores. Para Isabel Figueira, a explicação pode ser física, mas o formato não perdoa: “Acho que a Kina está muito cansada, acima de tudo. Isto é realmente um programa para duros. (…) É um programa que exige estar atenta, em alerta e disciplina a todos os minutos.” A comentadora sublinha o contraste com o “fenómeno” da semana: “E o Filipe que o diga. Estou a adorar o Filipe Delgado, tem sido uma agradável surpresa (…) tem sido excelente no trabalho que está a fazer e tem sido muito ativo.”
Contudo, o ponto de rutura não parece ser apenas o cansaço, mas sim o reconhecimento público da liderança de Filipe. Após um brinde do comandante para agradecer o empenho do recruta da semana, a reação de Kina foi de imediato distanciamento, recusando “passar a mão pelo pelo” do colega.
António Leal e Silva foi incisivo na leitura deste desconforto, apontando para uma questão de comparação direta entre mandatos: “Eu acho que o problema da Kina é ela não gostar que o Filipe Delgado esteja a ser mais bem sucedido do que ela foi nos três, quatro dias que esteve enquanto recruta da semana. Acho que este é o principal problema.” O comentador aponta ainda pequenas insubordinações estéticas que revelam uma resistência à norma: “Não percebo porque é que a Kina não apanha o cabelo. Vejo as meninas todas da recruta de cabelo amarrado a cumprir as regras (…) e a Kina está sempre com os seus cabelos no ar.”
A facilidade com que Filipe comanda, mesmo com ordens absurdas – como mandar os colegas esconderem-se debaixo da cama -, parece ser o que mais custa a digerir. Como notou Marta Cardoso: “Não foi fácil mandarem em quem não quer ser mandado, mas a verdade é que o Filipe manda-os para baixo da cama e eles vão. Se o Filipe amanhã os mandar pendurarem-se no teto, eles provavelmente vão fazê-lo. Isto para a Kina não está a ser fácil de digerir.”
Para o painel, a postura de Kina transparece uma dificuldade em lidar com o sucesso alheio num contexto onde ela própria falhou em gerar o mesmo consenso. Entre a “resiliência” que Isabel Figueira lhe reconhece na vida e a incapacidade de se adaptar ao “processo” militar, Kina parece estarincomodada com o protagonismo crescente do recruta Delgado.