
O cantor que saltou para a ribalta em 2009 no Ídolos e mais tarde brilhou no The Voice Portugal, sempre pautou a sua carreira pela audácia visual e pela defesa das causas LGBTQ+, quebrou o silêncio numa entrevista exclusiva.
Após um período de maior recolhimento na sua terra natal, a Madeira, o artista regressou recentemente aos ecrãs na competição Simply the Best – O Melhor dos Melhores, da TVI, onde a sua eliminação precoce gerou ondas de choque.
Em entrevista exclusiva à SELFIE, Carlos Costa abordou a sua saída da competição com uma análise que mistura o plano artístico com a realidade política do país. Ao ser questionado sobre a desilusão da derrota frente a Gabriela Lemos, o cantor foi cáustico na sua leitura sociológica: “Não olho para isto como uma derrota. Vivemos num país que vota Chega, não seria de esperar que votasse Carlos Costa“. Apesar da farpa social, o artista fez questão de demonstrar desportivismo ao afirmar que ama a vencedora da noite.
A decisão de voltar a submeter-se ao escrutínio de um júri, mesmo já tendo uma carreira firmada, foi vista por muitos como um ato de coragem. Para o intérprete, que escolheu o hino de Conchita Wurst, Rise Like a Phoenix, para a sua prestação, tratou-se de um exercício de autoconhecimento: “Vejo mais como um gesto de consciência. Perceber que nenhum percurso está fechado e que há sempre espaço para recomeçar, ajustar e evoluir“.
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Carlos Costa admitiu ainda que esta breve mas intensa passagem pelo palco despertou nele a vontade de abandonar o arquipélago e fixar-se novamente em Lisboa. O cantor sente que este é o momento ideal para a proximidade com o público que o acompanha desde a adolescência, procurando novos desafios que lhe permitam “renascer das cinzas”, tal como a letra da música que interpretou sugere.
Com um historial que inclui participações em reality shows como “A Quinta” e o lançamento de vários singles de música pop e eletrónica, Carlos Costa permanece fiel à sua identidade, recusando moldar-se para agradar a maiorias. O seu regresso ao continente promete agitar novamente as águas da indústria, provando que, independentemente dos resultados em concursos, o seu lugar na cultura pop nacional é indubitável e a sua voz continua a ser uma ferramenta de intervenção política e social.
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