Cláudio Ramos expõe bastidores do comentário social: “A nossa matéria-prima é muito complexada”
O antigo comentador avaliou a hipocrisia de algumas figuras públicas em eventos e confessou que essa visão já lhe causou divergências com Cristina Ferreira.
O passado de Cláudio Ramos como comentador social esteve em destaque na entrevista concedida a Adriano Silva Martins no programa Preço da Fama, do V+ TVI.
Sem tabus, o apresentador analisou a profissão, rejeitou rótulos antigos e criticou a postura de muitas figuras públicas portuguesas perante a imprensa.
O rosto da TVI começou por clarificar a sua função ao longo dos anos, demarcando-se do jornalismo tradicional de intriga: “Eu não gosto da palavra cronista social, porque me remete a outros tempos. Aos tempos de 1930. Porque a crónica social vem, como tu saberás, dos Estados Unidos e Inglaterra, onde um cronista vendia a sua crónica para vários jornais. Nós não temos isso. Tivemos um cronista que se chamava Carlos Castro. Era um cronista que fazia aquelas indiretas. Eu sou um comentador mediático, de costumes.”
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Sobre o método de trabalho, Cláudio Ramos garantiu que tinha uma regra inquebrável nos bastidores: “Eu não falava de ninguém sem ligar à pessoa. De ninguém. Nunca. Eu, qualquer coisa, eu ligava. Eu dizia, perguntava, mandava uma mensagem, tentava saber. Ainda que na minha cabeça eu já soubesse o discurso que eu ia fazer.”
A conversa aqueceu quando o apresentador abordou a atitude das celebridades nacionais nos eventos, apontando o dedo ao desdém simulado face aos jornalistas: “Há muito preconceito, mas não é nosso nem deles. Há da nossa matéria-prima. São os famosos de quem nós falamos, os mediáticos que têm um problema neste país que levam-se muito a sério. Nós somos deste tamanho e nós não temos carreiras em Portugal.”
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Esta perspetiva analítica sobre o mediatismo, confessou, entra muitas vezes em choque com a visão da sua diretora: “A forma como se olha para os comentadores é muito injusta por parte dos mediáticos. A minha briga com a Cristina Ferreira, a base é sempre essa. Porque a Cristina Ferreira não olha de forma nenhuma para o mediático, como se trabalha o mediatismo. E eu vejo sempre o outro lado.”