Cláudio Ramos recorda cansaço extremo na TVI: “Fazer um reality é uma coisa muito violenta”
No programa Bom Dia Alegria, o apresentador explicou a Zé Lopes a sua decisão de abrandar o ritmo de trabalho e confessou o alívio por estar há um ano afastado da condução de reality shows.
A conversa intimista entre Cláudio Ramos e Zé Lopes no programa Bom Dia Alegria, do V+ TVI, não se ficou apenas pelas memórias de infância no Alentejo.
O apresentador de 52 anos aproveitou o espaço para fazer uma reflexão profunda sobre a sua carreira, a exigência do meio televisivo e a sua passagem marcante pela condução de reality shows na TVI, admitindo uma necessidade urgente de descanso.
Questionado por Zé Lopes sobre o conceito de “reforma ativa” e a vontade de abrandar o ritmo, Cláudio Ramos foi perentório ao descrever o impacto que o excesso de trabalho teve em si, especialmente no ano passado. “Eu acho que é uma necessidade grande de descansar. As pessoas não têm noção, mas o ano passado, em 2025, quando eu fiz o reality durante 6 meses, sendo que o primeiro foi sábado e domingo e trabalhávamos à noite também, foi muito violento. Fazer um reality é uma coisa muito violenta“, confessou o comunicador.
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A acumulação do programa das manhãs com as galas noturnas levou o apresentador a um ponto de rutura e a um forte questionamento interior. “Cheguei ao fim e pensei: a vida não pode ser só isto. O trabalho, eu gosto muito do trabalho, mas há mais qualquer coisa. E se nós nos focarmos muito no trabalho, há uma altura em que trabalhas, trabalhas, trabalhas, mas não tens tempo para desfrutar. Então para quê é que trabalhas?”, refletiu, acrescentando que as prioridades mudam com a idade: “Uma coisa é teres 20 e 30, outra coisa é teres 52 e pensas: então trabalhas tanto para fazer o quê? O que é que tu queres fazer? Queres chegar aos 70, teres o dinheiro na conta e só isso, mais nada?”.
É por este motivo que Cláudio Ramos se mostra atualmente numa fase de maior serenidade, celebrando a pausa nos grandes formatos de fim de semana. “Por isso é que eu agradeço muito à estação que esteja há um ano sem fazer realitys. É mesmo muito bom descansar, mas é também poder desfrutar do que vem a seguir”, admitiu, sublinhando que a pressão constante da televisão “vem sempre na fatura da nossa saúde, sempre”.
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Durante a conversa, Zé Lopes recordou que o facto de Cláudio ter lutado tanto para chegar ao topo e, agora que lá está, pedir para desacelerar pode gerar alguma confusão ou antipatia por parte do público. O apresentador não fugiu à questão e recordou o final do último Big Brother, altura em que assumiu o seu esgotamento físico e mental.
“Quando acabou o Big Brother do ano último, eu disse às pessoas, fui a Fátima como muitas vezes vou, e disse às pessoas que precisava mesmo parar, que estou cansado. E as pessoas ficaram muito ofendidas. Mas isso é um problema delas. Eu não tenho culpa. Eu sei, eu sou responsável pelo que eu digo, não pelo que elas interpretam”, atirou de forma assertiva.
Para Cláudio Ramos, o amor à profissão não invalida a exaustão. “Não é porque eu adoro fazer televisão que eu não tenho o direito de estar cansado. É uma pressão que se coloca nas pessoas. […] Eu consegui aquilo que eu queria profissionalmente, não significa que eu não gosto de fazer. Quando eu digo ‘eu tenho de abrandar’, é para o meu bem. Eu é que decido. Eu demorei muito a chegar aqui, já cheguei meio cansado, porque eu tive que correr muito para chegar aqui”, explicou, garantindo que o público não paga as suas faturas e que a decisão final sobre o rumo da sua vida será sempre sua, mantendo, no entanto, o respeito e a gratidão pela TVI.
A terminar a entrevista, e perante a ressalva de Zé Lopes sobre os sustos de saúde que Cláudio já enfrentou no passado, o rosto das manhãs deixou um conselho valioso ao jovem colega de 28 anos, alertando para os perigos da ansiedade e da falta de sono.
“Se tu puderes conciliar as coisas de forma equilibrada, eu acho que é uma coisa tranquila, não é preciso irmos a correr, amanhã morremos todos, não levamos nada. Então porquê é que vamos correndo? Há notícias todos os dias de pessoas mais novas que eu… Eu sei que pode acontecer a qualquer um, que as pessoas vão dizer: ‘Ah, isso é a morte certa’. Claro, mas eu escolho, não vou escolher como morrer, mas vou escolher como viver. E escolhi fazê-lo desta maneira”, rematou.