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ENTREVISTA EXCLUSIVA! Autores de ‘Páginas da Vida’ desvendam mistério: “Quem matou a Nanda…”

Sandra Santos e Alexandre Castro revelam tudo sobre a novela mais vista do momento.

A aposta da SIC no remake de Manoel Carlos está ganha e só ainda foram exibidos nove episódios. O 10° é exibido na noite desta sexta-feira, 6 de Março. E vêm aí muitas surpresas…

DIOGUINHO – Nesta conversa a três, comecemos pela senhora. Há quanto tempo é que a Sandra é guionista e quando é que começou, como é que aconteceu?

SANDRA SANTOS (SS) – Bom, então eu sou guionista, deixe-me fazer as contas, desde os 25, creio eu, e tenho quase 52, Portanto, já há quase 30 anos. Eu era jornalista, nunca sonhei em escrever ficção, foi completamente por acaso que vim parar neste mundo. Na verdade, fui fazer um part time na NBP (atual Plural), fazer edição de texto e acabei por gostar e ficar. E tornar-me autora e guionista.

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Ainda se lembra da primeira novela para a qual escreveu?

A primeira em que eu fiz edição de texto foi a ‘Ganância’, que foi também a primeira novela portuguesa da SIC. A primeira vez não era uma novela, era uma adaptação, foram alguns episódios do ‘Super Pai’.

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E da sua autoria, qual foi a primeira história que criou?

Como autora principal, foi o ‘Feitiço de Amor’ da TVI.

Protagonizada pela Rita Pereira, começou logo com um projeto de sucesso…

Foi, foi. Digamos que tem-me corrido bem.

E com o Alexandre, como é que foi?

ALEXANDRE CASTRO (AC) – Eu era jornalista também, curso de comunicação social, trabalhei nos jornais e em televisão mais ou menos durante dez anos e depois cansei-me. Comecei a ficar um bocado desiludido com o jornalismo.

Queria continuar a escrever porque, embora tenha feito televisão, a maior parte foi na imprensa e, daí, a minha grande paixão sempre foi a escrita. Na altura pensei bem, se calhar guionismo pode ser interessante, tirei um curso de um ano na Restart e pronto, depois tive sorte porque arranjei logo trabalho passado uns meses. Isso já foi em 2004 e, portanto é isso, no fundo, guionismo a sério foi desde essa altura, 2004, 2005.

Mas fez logo novelas para Portugal?

SS – Não se deixe enganar, que ele é português (risos). O sotaque é que…

AC – Pelo facto de eu ter vivido no Brasil quando era criança, jovem. Mas respondendo à sua pergunta, sim, entrei logo no mercado português. Comecei logo a escrever, trabalhei alguns anos para a TVI, por acaso nunca me cruzei com a Sandra, depois trabalhei para a Angola, depois a SIC e foi aí que nos cruzamos. Entrei na TVI a meio de um projeto, ‘Tempo de Viver’.

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A novela do Rui Vilhena, a Maria Laurinda, o tubarão…

É, exato, exato. E pronto, depois estive ali ainda uns anos. Novelas da minha autoria, foi 10 anos depois, que faz agora 10 anos também, portanto, no fundo já trabalho nisto há 20 anos. A primeira como autor principal foi há 10 anos, ‘Rainha das Flores’ para SIC. Foi em 2016. Sim. E foi a primeira como autor.

Até que chegamos a este momento, em que são os dois responsáveis pela ‘Páginas da Vida’…

É engraçado, nós fomos fazendo projetos, por exemplo, eu quando fiz ‘Vidas Opostas’ como autor, a Sandra foi a ‘minha’ braço direito e foi aí que nos conhecemos. Passado uns anos, ela fez ‘Nazaré’ e eu fui o braço direito dela.

Até que nasceu a dupla…

Foi ‘A Herança’, no ano passado, que ainda está a dar na SIC.

A julgar pelas audiências, juntos fazem sucessos.

Vamos esperar que continue assim. No entanto, agora, é um pouco dividido, pronto, e ainda bem que é, porque trabalho não falta.

Para além de vocês os dois, têm uma equipa. Como é fazem entre vocês a divisão do trabalho? Quem é que fica com o quê?

SS – Temos uma equipa de mais cinco pessoas, por acaso, mais seis. Era suposto ser só cinco, mas como a carga de trabalho foi aumentando, nós tivemos que pedir reforços, porque nós fazemos mesmo muitos episódios por semana. Neste momento estamos a fazer quantos, Alex?

AC- Nós estivemos a fazer oito. Oito e pouco, mas chegamos a fazer quase nove. Estivemos a fazer muitos episódios, porque a novela já arrancou um bocadinho atrasada em termos de calendário de cronograma para a produção, e então tivemos que pedir uma equipa um bocadinho maior.

SS- Portanto, nós temos neste momento seis pessoas a escrever em permanência, e nós dividimos da seguinte maneira: o Alexandre faz a revisão final dos episódios e ele estrutura os episódios. Portanto, é assim, eu faço a chamada escala dos episódios. Oriento a estrutura do episódio, vai para a escrita e depois é revisto pelo Alexandre. E é assim que nós conseguimos fazer oito episódios por semana.

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Assim, a Sandra desenha o episódio, a equipa desenvolve os diálogos, e depois no final o Alexandre faz a revisão geral da história toda para ver se está tudo bem sincronizado?

Sim, sim. Sendo que a história é estruturada no âmbito total, no âmbito geral de todas as personagens, de mês a mês fazemos uma estruturação. Uma reunião com a equipa toda, em que cada um dá as suas ideias e decidimos como é que vai ser naquele próximo mês, o que é que vai acontecer a cada personagem. Sendo que há sempre alterações, normalmente.

Como é que este projeto de ‘Páginas da Vida’ foi-vos apresentado?

AC- No fundo, foi, “temos aqui, queremos fazer esta adaptação, ok?” Primeiro passo, ver a novela original de 2006. À medida que fomos vendo…

Estão a trabalhar nisto desde quando?

Desde Junho. Junho, exatamente. Já há muito tempo. O primeiro passo foi ver o original. Depois foi tentar perceber com que limitações ou com que características nós poderíamos contar. Ou seja, por exemplo, número de personagens.

SS – No original, nós contamos 80, o que seria incomportável. Aqui sabemos que temos que trabalhar com 30, 30 e tal. Logo aí tem que se tomar uma decisão estrutural.

AS – E uma das soluções que encontramos foi, por exemplo, fundir alguns personagens. Ou seja, por exemplo, na família principal nós tínhamos seis filhos.

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A família do Tarcísio Meira e da Glória Menezes, agora representados pelo Adriano Luz e Manuela Couto.

É. Houve logo essa decisão estrutural, por exemplo, do número de personagens. Outra decisão estrutural teve a ver com a primeira fase da história.

SS – No original, a primeira fase ocupa cerca de vinte episódios e depois, por exemplo… Não, vinte não é mais. Eu acho que é vinte. Olha, o que eu estou a dizer é que… A segunda fase não começa quando o Leonardo volta? Já não me recordo.

AS – Não, era isso que eu ia dizer, porque, por exemplo, duas decisões estruturais aqui, do Leonardo, o Lourenço Ortigão, por exemplo, no original, a primeira fase ocupa cerca de vinte episódios. Eu até posso dar daqui a pouco o número exato, que eu tenho isso aqui. E outra característica do original é que o personagem do Léo só reaparecia na trama no episódio 75.

SS – Exatamente. Tivemos logo que fazer uma alteração. Primeiro, reduzir a primeira fase à primeira semana de exibição, ou seja, aos primeiros cinco, seis episódios, e a introdução do Leonardo na história é feita na primeira fase, tal como no original, mas ele continua no salto temporal de seis anos.

AS – Portanto, isso só para dar dois exemplos de alterações que nós fomos criando à medida que íamos vendo o original, ok? Estas decisões vão sendo tomadas à medida que ainda estamos a ver, ainda não a escrever.

SS – Pronto, depois desta fase, nós redimensionamos o quadro geral de personagens, fundimos alguns, eliminamos outros, criamos outros, poucos, mas mesmo assim ainda criamos poucos. Por exemplo, a mãe do Leonardo, que não existia. No original existia a figura da avó, que era muito carinhosa e muito protetora.

Ao contrário desta mãe, que é uma megera, digamos assim.

SS – Esta mãe tem outra característica, porque ela, na verdade, não existia, mas nós acabámos por lhe atribuir características de uma personagem que existia, que era a personagem da irmã má, a freira que geria o hospital.

Lá está, a fusão de personagens.

Portanto, é aí que esta personagem, que, no fundo, nós inventámos como mãe do Léo, se funde com uma personagem que já existia no original e daí a história começar a desenrolar-se na clínica, neste caso, a nossa é a Clínica das Sete Colinas, e ela vai fazer esse papel, vai fazer o papel da freira má que contraria o coração humano da Helena.

É a personagem da Anabela Moreira, que desempenhar o papel dessa mãe.

AC- Sim, tem um carácter um bocadinho mais frio do que os outros, ainda tem muitas camadas para descobrir, portanto, temos que ir devagarinho com esta personagem.

Trabalham com a SP Televisão, a fábrica de novelas da SIC?

Trabalhamos diretamente para a.SP. Neste caso, foi o Diretor de Conteúdos da SP, o Pedro Lopes, quem falou connosco em primeiro.

E com a estação, a SIC?

SS – Depois tivemos reuniões com o Daniel Oliveira, na SIC, para estabelecer, no fundo, os parâmetros daquilo que eles pretendiam. Porque há sempre este cuidado, o canal tem sempre pedidos em relação àquilo que quer da história.

Neste caso houve aqui algumas alterações, alguns ajustes que fizemos para acomodar esses pedidos. Vou dar um exemplo. A mãe do Léo, na verdade, foi um pedido. Eles não queriam, por exemplo, que fosse como na versão original em que o Léo sabia da gravidez da Nanda e a rejeitava e rejeitava os filhos.

Aqui acharam que o público não ia perdoar a personagem se ele tivesse esse movimento, ou seja, preferiram criar a interferência, pediram-nos para criar a interferência da mãe para afastar o Leonardo.

Ser a mãe a fazer esse papel de má, certo?

Ser a mãe a fazer esse papel, para que o personagem tivesse redenção.

E o Daniel Oliveira, também muito entendido em novelas, solicitou alguma alteração?

Não, não, não. O que ele nos pediu foi, por exemplo, pediu-nos.… Sugeriu que, em vez de uma escola de artes, tivéssemos um abrigo de animais, porque é uma coisa que nos diz mais, que tem muito mais a ver com a realidade de hoje em dia.

Em relação ao elenco, vocês, autores, sugerem alguém ou é totalmente escolhido pela SP e SIC?

AC – Entre a SP e a SIC, normalmente nós podemos dar as nossas sugestões, mas normalmente a palavra final é sempre da SIC, sim.

Também na vossa opinião, a Helena e a Marta foram bem escolhidas, vocês estão felizes com a Sofia Alves e a Maria João Bastos?

SS – Claro que sim. Até porque são perfeitas. Elas estão maravilhosas, não podíamos desejar outras atrizes para os papéis. Mas, durante muito tempo, por ser uma adaptação de uma novela que nós conhecíamos bem, eu costumava dizer que até as personagens falavam com o sotaque do Brasil na minha cabeça.

As personagens da versão original, a Helena da Regina Duarte e a Marta da Lília Cabral estão muito presentes no coletivo imaginário do público.

E estava, pronto, estava “encastrado” nas nossas mentes. Mas assim que soubemos quem eram as atrizes, de facto, isso mudou radicalmente. E agora, então, o que vemos no ar e quando vimos as imagens, não podíamos desejar outras atrizes, porque, de facto, o elenco está todo maravilhoso, mas realmente temos que destacar a Maria João e a Sofia, porque estão brutais, brutais.

Quando é que vocês viram, pela primeira vez, imagens do que tinham escrito?

AC – Acho que foi ali na zona do Natal, não é, Sandra? Aquelas primeiras imagens, não foi?

SS – Talvez, talvez sim. Aquelas imagens soltas que nós vimos, não foi?!! Foi, foi.

AC – Sim, sim, sim. Foi mais ou menos. Ou seja, nós estávamos a escrever, não digo junho, porque junho foi um trabalho de pesquisa e montagem da sinopse do quem é quem, mas ali desde julho, agosto, estávamos, desde agosto e até dezembro, escrevemos sem ter visto nada, sem saber o que é que estava a passar.

Mas foram tendo informações de que atores é que iam desempenhar este ou aquele papel, ou não?

Sim, quando começaram as filmagens nós já sabíamos quem eram, sim. Ali em meados de setembro, quando fomos aos ensaios.

E nessa altura, os autores responsáveis, vocês, foram ao estúdio conhecê-los, ou não? Como é que funciona isso?

SS – Nessa fase, pronto, já há algum texto, ainda não muito, mas já tem algum, já tiveram umas reuniões preliminares com a direção de atores e a coordenação do projeto, então nós somos convocados para ir a reuniões por núcleos, por núcleos de famílias, ou triângulos amorosos, ou jovens, ou núcleos de trabalho, etc. Ou seja, nessas reuniões, então, há uma conversa em que nós expomos aquilo que está na nossa cabeça e os atores também tiram algumas das suas dúvidas e é um processo também importante porque alguma afinação em relação à caracterização das personagens é feita aí, nessas reuniões.

Como é o vosso dia-a-dia nesta altura, em que nós já estamos no 10, vocês vão em que episódio? Já têm qual pronto?

Pronto, pronto, está o 119, não é Alex?

AC- 119. Sim.

Sabem quantos episódios é que vão ter? Ou não há ainda um número definido?

Neste momento não sabemos, não sabemos.

Isso depende da novela continuar a ser o sucesso que está a ser?

SS – Exatamente, exatamente. Normalmente, o canal, a emissora, decide quantos episódios quer, mais ou menos a partir da segunda, terceira semana após a estreia, decide quantos episódios é que quer, no fundo, dá um número final, porque temos sempre um número de partida. A partida é sempre entre 180 a 200 episódios, não é guiões, é 200 cassetes. Porque muitas das vezes os nossos guiões correspondem a mais do que um episódio, mas isso já é uma coisa conhecida. Portanto, agora, neste momento, creio que esta partida já estava contratualizada para mais de 200 e estamos à espera do número final a qualquer momento.

Têm que continuar a alimentar… Vão manter, e isso é uma coisa muito espiritual e sobrenatural do Brasil, não sei como é que funciona cá, vão manter as aparições da Nanda aos filhos?

SS – Alex, queres responder? Esta tem rasteira (risos)…

AC – Vou responder. Se fosse político, responderia assim. Apareceu já uma vez esta semana, não apareceu? Já apareceu nos episódios da Amazon Prime?

Sim, já.

Já. Pronto. Então a minha resposta é que não faz sentido que só apareça uma vez.

Quando viram as primeiras imagens por altura do Natal, com que sensação é que saíram desse visionamento? Saíram satisfeitos? Do género, “ah, nós escrevemos, está mesmo bom, tem ritmo, era isto que nós queríamos…”

SS – É assim, quando nós vemos imagens soltas não temos muito essa noção, ficamos só a perceber se o casting foi adequado ou não às personagens. Agora, quando nós vimos o primeiro episódio, sim. Quando nós vimos o primeiro episódio, já há algumas semanas, eu devo dizer que saímos mesmo com aquele… Está muito bom. Está mesmo muito bom e ficámos muito satisfeitos, não foi, Alexandre?

AC – Foi, foi mesmo, foi mesmo. Porque quando nós vimos as cenas soltas aquilo não tem música, não tem as trilhas sonoras, a edição de imagem. O primeiro episódio foi uma sensação, assim, muito, muito, muito boa.

Então nesse dia houve festa, com a equipa, a seguir ao primeiro episódio?

SS – Não, a festa com a equipa foi no dia de estreia ( 23 de Fevereiro).

E a festa tem continuado, com o excelente resultado da estreia e destas duas primeiras semanas?

Realmente temos estado sempre a crescer, resultados extraordinários nas audiências, estamos todos muito orgulhosos do trabalho que fizemos e agradecemos muito ao público por este carinho.

A primeira coisa que fazem de manhã é ver como é que foi a audiência do dia anterior?

AC- Sim, sim. No meu caso, quando as audiências chegam, já estou a ler os episódios. Eu ligo o madrugador.

Trabalham quantas horas por dia, têm dia de folga, porque imagino que, mesmo que andem na vossa vida pessoal ou no supermercado, de vez em quando, muitas vezes, a Helena vem à cabeça, a Marta vem à cabeça, o Alex vem à cabeça e aquela gente, toda a noite, eles vivem com vocês todos até que…

SS – Sim, sim, até que acabem as gravações. Exatamente. Não, isto é 24 sobre 24 horas, realmente, sim. Porque nós sonhamos com as personagens, pelo menos no meu caso, eu sonho com as personagens, sonho com a história, quer dizer, isto nunca acaba. E, na realidade, temos que conseguir tirar o domingo, não é Alex?

AC – É, mas eu estava a lembrar-me ainda de uma conversa que nós tivemos aqui há uns dias, em que eu disse que não tinha nada para fazer e fui pegar no episódio. Foi no dia de Carnaval.

SS – Até dissemos que é assim porque é um viciante.

É viver literalmente com todas as personagens…

Nós trabalhamos, nós estamos habituados a um certo ritmo, e quando ficamos sem ele, acabamos por estranhar. Por exemplo, no final de ‘A Herança’, recordo-me, eu entreguei o último episódio da novela e… No dia, quando é que foi o apagão?

28 de Abril de 2025.

Exatamente, eu entreguei o último episódio de ‘A Herança’ no dia 26 de Abril, e no domingo, estava aqui ocupada, já não tinha trabalho para fazer, mas tenho os meus filhos, ainda são pequenos e tal, e sempre me ocupam algum tempo, e na segunda-feira estava totalmente sozinha em casa, e não tinha nada para fazer, e estava numa sensação…

Numa tristeza só? Faltavam pessoas?

Felizmente, felizmente, veio o apagão e eu basicamente dormi o dia todo, porque estava tão habituada àquele ritmo frenético, que de repente não ter nada para fazer, foi uma coisa muito, muito complicada.

A verdade é que neste momento vocês têm duas novelas de sucesso em antena…

Felizmente, sim!

Em relação ao final de ‘A Herança’, obviamente que se eu vos perguntar alguma coisa, vocês não vão responder…

Nada. A multa que está nos nossos contratos é alta, não dá para dizer nenhuma coisa.

Mas vocês têm uma cláusula no contrato em que não podem revelar nada sobre a história?

AC- Temos, sim, sim, sim. Temos uma cláusula de sigilo, sim, claro que sim.

Há muitas entrevistas com os atores, com os diretores, e esquecem-se muito dos autores, ou seja, dos guionistas, de quem, na verdade constrói a história. E relevam um bocado o vosso papel. Vocês sabem tudo sobre a história e estas curiosidades, o público adora saber como é que são os bastidores, como é que as coisas nascem…

SS- Sim, é verdade. Por acaso, somos sempre… Isto não é uma autocomiseração. Quem está atrás dos panos acaba por ficar sempre um bocadinho esquecido. Porque, na verdade sem o nosso trabalho nada acontece, não é? Não, exatamente. Mas acho que isso está a mudar.

Vocês são o tip de autores que gostam que os atores gravem o texto exatamente como vocês o escreveram, ou se houver ali uma outra mudança…

SS – Desde que seja pequenina não incomoda. É assim, isso é outra pergunta com ratoeira, porque não temos nada contra os improvisos, desde que não afetem a narrativa para a frente e é preciso ter muito cuidado, porque às vezes aquilo que parece muito inocente pode ter consequências catastróficas para a frente e é nesse sentido que muitas vezes os autores são contra o improviso, porque é preciso ter conta, peso e medida nesse improviso, porque aquilo que pode ser só uma graça, daí a dois, três, dez, vinte, cinquenta episódios pode significar mudanças profundas no rumo da narrativa. Eu não estou a exagerar. É mesmo assim, não é, Alexandre?

AC- É, não, é, eu também não sou nada purista, mas é preciso tomar algum cuidado, às vezes até mesmo na intenção do ‘acting’, que não está marcada e o ator pode fazer. E isso pode ser contraditório com aquilo que acontece, por exemplo, no episódio a seguir, e, portanto é preciso ter algum cuidado com isso.

Assistem todos os episódios das novelas que escrevem?

Sim, sim! Nós temos que ver tudo, porque senão não conseguimos fazer uma avaliação concreta daquilo que é o trabalho final.

Em Portugal, alguns guionistas já começam a ter destaque de estrelas, nomeadamente vocês, porque já escreveram vários sucessos. O que se ganha como guionista principal já se justifica?

SS – Eu tenho que ser franca nisto, se calhar vou levar nas orelhas, mas eu acho que ainda é um trabalho mal pago, muito mal pago. Também há outra questão aqui que tem a ver com os direitos de autor. Vou dar um exemplo muito concreto, do quão injusto isto é neste momento. Nós não recebemos direitos de autor pelo fato dos nossos conteúdos, e neste caso específico esta novela, Páginas da Vida, estar na Prime Video, nós não recebemos um cêntimo de direitos de autor. Porque não há um acordo feito entre a SPA, a  Sociedade Portuguesa de Autores, e essas plataformas de streaming. Nós, autores, não recebemos nada com isso, nós só recebemos aquilo que passa na TV aberta e generalista, e mesmo assim não são os direitos completos, porque os direitos comerciais são do canal e da produtora.

Como assim?

AC – Nós recebemos os direitos secundários, mas ainda assim também não há muita clareza na forma como esses direitos são atribuídos. Portanto, acabamos por isso, comparado com, por exemplo, o Brasil, está bem que o mercado é maior, está bem que a realidade é outra, mas se formos comparar aqui ao lado com a Espanha, não tem nada a ver, é ridículo, é absolutamente ridículo o que nós recebemos em direitos autorais.

O que é que nós podemos saber sobre o que aí vem na novela? Há alguma coisa que podem dizer sobre alguma personagem?

SS – Temos um mistério, que é uma coisa que não havia no original, temos um mistério.

Têm um ‘quem matou’?

Sim, temos um mistério em torno do acidente que envolve a morte da Nanda. Não vamos dizer se é um homicídio intencional ou se foi pura e simplesmente um acidente, mas temos um mistério em relação a isso. Há um mistério em torno da pessoa que ia ao volante, que atropelou e fugiu.

Esse segredo só será revelado no final?

AC – Esse assunto só surge quando a questão das crianças, da custódia das crianças baixar um bocadinho de tom, de resto até lá a questão das crianças é o principal mote da novela.

O que têm ouvido sobre a novela?

Ah, o que eu tenho ouvido… Diz-se bem, Alex. O que eu tenho ouvido mais tem a ver com o facto de ser uma novela diferente, mais humana, mais emocional.

As novelas do Maneco (Manoel Carlos) foram sempre assim.

É, vai ao encontro, o tom e o universo desta novela mantém-se em relação ao original, que tem realmente a ver com as relações humanas, a profundidade dessas relações, e a maneira muito emocional de muitas cenas. E isso era uma característica do Manoel Carlos e eu acho que nós conseguimos transmitir para aqui, nós no texto, e muito os atores que estão a fazer um trabalho brilhante, vamos continuar a ver uma disputa entre a Marta e a Helena, e nomeadamente depois, quando o Leo chegar, a principal coisa aqui destas histórias são as crianças.

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Em Portugal, quem deveria ficar com a Clarinha e o Kiko?

SS – Nós aqui antecipamos isso, sentimos a necessidade de contar além dessa história. Portanto, se há coisa que nós fizemos em relação ao original, respeitando o estilo do Manoel Carlos, que é um estilo muito próprio, não é? E que nós tivemos que aprender, no fundo, porque nós estávamos…

A ficção estava a ir por um caminho um bocadinho mais rápido, com cenas mais… portanto vamos explicar isto de uma forma simples, com mais cenas por episódios, cenas mais curtas e mais rápidas, e nós tivemos que reaprender o estilo de menos cenas por episódios, cenas com mais páginas, cenas maiores, mais longas, mais reais. Nesta novela privilegia-se mais o diálogo em detrimento da ação, enquanto o caminho de evolução natural que a novela estava a ter era privilegiar-se a ação em detrimento do diálogo.

E aqui fizemos exatamente o inverso, que é o estilo do Manoel Carlos, e nós tivemos que aprender a escrever assim, e a pensar assim para respeitar esse legado, que é um legado precioso, não é?

Esta é a vossa ‘Páginas da Vida’ , a versão da SP e SIC?

AC – Não queríamos de forma nenhuma fazer uma Páginas da Vida que não fosse reconhecida como o remake do Manoel Carlos, mas que também tem o cunho da Sandra Santos e do Alexandre Castro.

Então, se nós vamos saber antes do final quem é que fica com as crianças, o que é que depois fica por revelar a seguir?

Fica tudo por resolver. Porque a vida dá muitas voltas e tem muitas páginas.

E quem ia a conduzir o carro, que atropelou a Nanda e fugiu, causando-lhe a morte, só é apanhado no último episódio?

Não, não, não. Vai ser mais ou menos a meio. É que nós até podemos chegar à conclusão que quem ia a conduzir o carro não era ninguém, era um novo dispositivo do Elon Musk (risos). A sério, o nosso elenco é grande e todos estiveram, podem ter estado lá na altura daquela noite e atropelaram e fugiram.

Temos que aguardar e ver a novela…

SS – A história das crianças não se resume ao facto de elas ficarem com o pai ou com os avós, ou com a Helena. Portanto, nós temos muitos espaços nesta história que vamos desenvolver para além daquilo que foi o original.

AC – Eu só queria uma conclusão em relação àquilo que estávamos a falar no início da entrevista, que eu estava a dizer que tem mais ou menos 20 episódios, na primeira fase. Eu já vim aqui confirmar que tem 40.

SS – A história original, recordo-me porque foi o ano em que eu casei, portanto… Eu fico com essa ideia na cabeça. Quando vocês dizem que, obviamente, que há uma decisão judicial de quem é que fica com as crianças, mas a vida deles, e de quem fica e de quem não fica, continua e continuam as relações entre eles e as discussões. E é essa a história que vamos contar. É uma história que não vimos nas ‘Páginas da Vida’ originais.

E há mais algum mistério que possam deixar no ar? 

Eu acho que é só esse. Porque, de facto, também foi uma coisa que nós sabíamos que ia agradar ao público português, que gosta de ter sempre um mistério para resolver.

Nesta altura, já têm alguma ideia de como é que será o último episódio?

Ainda não. Mas sabemos como é que acaba no original, temos isso em mente, vamos usar definitivamente algumas coisas, porque são icónicas, e nós fazemos sempre questão de termos as cenas que são marcantes dessa novela presentes na nossa versão, portanto, inclusivamente, às vezes até vamos à palavra, porque são cenas icónicas e queremos que as pessoas se recordem destas cenas, não é? Aqui estamos, no fundo, também a chamar o saudosismo do público.

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Quando acabam de escrever uma novela, e este é um ‘novelão’, são muitos episódios e dá-vos muito trabalho, de quanto tempo é que precisam de férias?

Pois, ‘A Herança’ teve 260. Para se limpar a cabeça, descansar e estar minimamente preparado para abraçar outro projeto, é no mínimo três meses. Sim, sim. Nós, por exemplo, nós trabalhamos com a produtora, não é, trabalhamos com a SP e, mesmo nos momentos em que estamos sem novela, estamos sempre a fazer qualquer coisa, ou estamos a fazer séries, ou estamos a fazer sinopses, ou, portanto, nunca estamos efetivamente parados, mas isso já ajuda a limpar a cabeça. Mas, por exemplo, creio que os autores que trabalham de forma independente, nós não somos independentes, nós só podemos trabalhar para a SP, neste momento temos contrato, portanto, creio que os outros autores têm tempos de paragem maiores, bem maiores, vou tirar sem grandes certezas, mas eventualmente dos seis meses de paragem e preparação para outros projetos.

O Pedro Lopes, diretor de conteúdos da SP, também já vos disse alguma coisa? Também acompanha, também já deu algum parecer sobre a novela?

Foi um dos primeiros a dar-nos os parabéns também, no dia em que saíram as audiências, pronto, não só ele, mas muitas pessoas na SP, de um modo geral, estão todos muito satisfeitos e ligaram-nos a dar os parabéns, e foi, pronto, é sempre também um reconhecimento do nosso trabalho.

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