Apesar de tudo, o eterno apresentador do ‘1,2,3’ continua a percorrer um caminho de serenidade e tranquilidade. Nesta “data querida”, faz uma reflexão sobre o calendário…
Em declarações exclusivas ao DIOGUINHO, Carlos Pereira Cruz reage aos muitos parabéns: “Fazer anos é uma inevitabilidade. Há quem o festeje e há quem não lhe dê muita importância. Eu pertenço ao segundo grupo e, quando o festejo, é porque alguém trata do acontecimento. Houve um ano em que até me esqueci. Estava sozinho em Lisboa, vindo de Angola”.
Por isso, diz que “no aniversário não faço grandes balanços, prefiro olhar para o futuro e esperar que a vida ainda me surpreenda. Reconheço que não é fácil, mas vivo sempre com alguma expectativa. Ah! E ainda não me sinto velho. Apenas idoso porque alguém inventou o calendário. Saudações para os leitores do ‘Dioguinho'”.
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O grande momento deste dia especial vai ser “jantar tranquilamente com as filhas (Marta e Mariana)”. E ironiza: “Festejar o quê? Ficar mais velho? (risos) O melhor presente é ver as filhas e netos felizes”.
Sobre a grande trajetória televisiva, um incontestável grande nome do pequeno ecrã, Carlos refere que “a fama é efémera”: “Aliás, a própria vida é efémera. Nesse espaço de tempo, apenas quis fazer algo para os espectadores que os ajudasse a sentirem-se um pouco melhor”.
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Marluce Revorêdo Silva também deixou uma verdadeira homenagem a Carlos Cruz: “Hoje desejo que a vida te presenteie com serenidade, saúde e muitos momentos de verdadeira felicidade. Continuo a desejar o melhor para ti, não como Ex, mas como a amiga sincera que a vida e o tempo fizeram que eu seja para ti”. “Depois de tantos anos de história, de partilha e de cuidados para manter a nossa família unida, permanece entre nós algo que o tempo não apaga: o respeito, a admiração, gratidão e a verdade desta amizade. Que o teu caminho seja sempre iluminado e que nunca te faltem motivos para sorrir”, escreveu.
Carlos Cruz nasceu em Parceiros de São João, no concelho de Torres Novas, numa casa sem água canalizada, eletricidade ou instalações sanitárias, serviços então inexistentes numa aldeia do interior do país, no ano de 1942.
Os seus pais eram proprietários agrícolas. Quando Carlos Cruz nasceu, os dois filhos mais velhos já eram adultos e os outros três tinham já dezasseis, onze e oito anos. Aos seis anos, foi viver para Angola com a família, permanecendo na antiga colónia até aos dezassete anos.
Em Angola, Carlos Cruz começa a fazer rádio, com apenas 14 anos, depois de Rui Romano, um famoso radialista da época, o ter confundido com outra pessoa. Torna-se relator desportivo e produtor de programas desportivos, na Emissora Católica de Angola e no Rádio Clube de Angola, até que em 1960 é admitido na Emissora Nacional.

Em setembro de 1959, após fazer o exame de admissão ao Instituto Superior Técnico, Carlos Cruz iniciou a viagem de regresso à metrópole, a bordo do navio Vera Cruz. Nessa altura, o pai já havia morrido e a mãe, viúva, decide regressar à terra de onde partiu, Parceiros de São João. Carlos irá conciliar, a partir de então, o curso de Engenharia com o trabalho de relator desportivo na Emissora Nacional. No ano seguinte, resolve abandonar os estudos, após uma reprovação em Matemáticas Gerais, que considerou injusta.
O ano de 1962 marcou a estreia de Carlos Cruz como apresentador de televisão, depois de ter sido aprovado num concurso para a RTP — aparece primeiro no TV Motor e, logo a seguir, no Tele Desporto. Em 1965, concilia o serviço militar (que cumpre em Santarém, como oficial miliciano) com a apresentação do histórico Telejornal, ao sábado, ao domingo e mais duas vezes por semana, nos dias em que ia à capital. No ano seguinte, 1966, apresenta o programa de atualidade musical Discorama.
Regressa à rádio, desta vez na Renascença, em 1968, com um programa que alcança algum êxito, o PBX. Na mesma estação, apresenta o Tempo Zip, em 1970. Três anos depois, em 1973, funda o Serviço de Noticiários da estação.
De novo na televisão, Carlos Cruz integra, em 1969, o painel de um dos mais inovadores e revolucionários talk-shows portugueses de sempre, o Zip-Zip, resultado da abertura da Primavera Marcelista, onde, ao lado de Raúl Solnado e Fialho Gouveia, realiza entrevistas a diversas personalidades portuguesas, incluindo artistas cujo trabalho se via ameaçado pela censura. O programa obteve um enorme êxito de popularidade.
Logo após o 25 de abril de 1974, Carlos Cruz é nomeado pelo Governo para conselheiro de imprensa da Missão Portuguesa junto das Organização das Nações Unidas, função que desempenha durante quatro anos, entre 1975 e 1979.
Foi no âmbito da sua função que coordenou, mais tarde, a “Operação Pirâmide”, uma gigantesca ação humanitária que, em dezembro de 1978, permitiu recolher uma astronómica quantia em donativos e bens: 130 mil contos.
Apesar do trabalho nas Nações Unidas, continua ligado à RTP: em 1975, esteve envolvido na cobertura das Eleições para a Assembleia Constituinte Portuguesa; e, entre 1976 e 1977, desempenhou o cargo de diretor de programas da RTP1. É nessa qualidade que negoceia a compra, para Portugal, da novela Gabriela, Cravo e Canela, adaptação do romance de Jorge Amado – a primeira telenovela a ser emitida em Portugal e um êxito comercial absoluto.

No início da década de 1980, na companhia de Raul Solnado e Fialho Gouveia, seus parceiros no Zip-Zip, apresenta o programa musical E o Resto São Cantigas, que, apesar de não ter atingido o êxito do anterior programa apresentado pela tripla, conseguiu fazer algum sucesso.
Na mesma altura, na Rádio Comercial, foi autor e apresentador dos bem-sucedidos Pão Com Manteiga, o icónico programa das manhãs de domingo da estação, e Duplex. Dirigiu, igualmente, em 1982, a revista Mais.
Em 1984, foi o grande responsável por trazer de Espanha o arrojado concurso 1,2,3 , que se tornou um enorme sucesso de audiências. Carlos Cruz apresentou as três primeiras edições do concurso (até 1986), cimentando a sua popularidade junto dos grandes públicos, que já lhe chamavam “Senhor Televisão”. Também em 1984, estreia-se como ator no filme Vidas de António da Cunha Telles.
Entre 1986 e 1987, apresenta um formato inovador na RTP2, A Quinta do Dois, cujo cenário adotava um ambiente radiofónico. Entre conversas, músicas e momentos de humor, é neste programa que é criada a inesquecível personagem “Zé da Viúva”, que marcou a carreira do ator que a desempenhava, Carlos Cunha. No programa, Carlos Cruz recebeu diversos convidados internacionais, como é o caso de Fafá de Belém ou Tina Turner.
No final da década, produz o musical Enfim Sós, onde aparecem nomes como Dulce Pontes e a cantora Dora, por exemplo.
Em 1990, funda a CCA – Carlos Cruz Audiovisual, Lda., entre outras empresas, uma das grandes responsáveis pela pela produção televisiva em português. Nos primeiros anos, produziu cerca de onze programas semanais para a RTP1, como A Roda da Sorte, Isto só Vídeo, Marina, Marina, Nós os Ricos, entre outros.
Ainda em 1990, apresenta a primeira edição do famoso concurso O Preço Certo, nas noites da RTP1.
Em 1991, assume a condução de um novo programa de entrevistas, num registo intimista, designado Carlos Cruz quarta-feira. O programa esteve no ar durante oito anos. Por esse programa passam variadas personalidades da vida pública portuguesa, da política — ficaria célebre a entrevista a Alvaro Cunhal, por exemplo — literatura, artes plásticas e performativas, desporto, medicina, entre outros temas.
Pelo meio, em 1993, é o responsável pela criação do Ideias com História, um formato ousado, que lhe valeu uma ameaça de morte de radicais islâmicos, depois de, numa edição do programa, ter caricaturado Maomé.

Em 1993, sofre com um cancro nas cordas vocais e, no ano seguinte, foi submetido a uma delicada cirurgia de peito aberto. No entanto, os momentos delicados da sua vida não o impedem de continuar a trabalhar e logo em setembro de 1994, estreia o Zona +, o seu novo programa de variedades.
No início do ano de 1996, é convidado para ocupar o cargo de Diretor de Antena da TVI. É o responsável por algumas mudanças significativas na estação, tornando-a mais comercial. Chega mesmo a apresentar um programa de curta duração no canal, com o seu nome próprio, mas, no final do ano, acaba por regressar à estação que o viu nascer profissionalmente, a RTP.
Em 1998, apresenta a emissão de inauguração da Expo’98 e, no mesmo ano, faz parte do júri do concurso Assalto à Televisão, ao lado de Júlio Isidro e Ana Bola. No mesmo ano, resgata o Carlos Cruz Quarta-Feira para uma segunda temporada de entrevistas.
Às portas do milénio, traz para Portugal o sucesso internacional Quem Quer Ser Milionário?, que apresenta, entre janeiro e junho de 2000, no horário nobre da RTP1. Este concurso, apesar de não ter sido um sucesso estrondoso de audiências, evidenciou-se como uma aposta ganha para a estação pública.
Em julho de 2000, deixa a RTP, onde trabalhou durante quase quarenta anos, e muda-se para a SIC. Apresentou inicialmente o concurso A Febre do Dinheiro, entre setembro e dezembro de 2000, a grande aposta para defrontar o recém-estreado Big Brother, na TVI.
Em 2001, destacou-se na apresentação da primeira temporada do “late-night show” Noites Marcianas. No ano seguinte, apresenta mais dois programas, com relativo sucesso: o concurso Linha da Sorte, nas noites de sábado e Fora de Série, um programa de variedades.
Já envolvido no Processo Casa Pia, apresenta a primeira edição do programa de informação sensacionalista Escândalos e Boatos, antes de rescindir contrato com a SIC, por mútuo acordo, a 30 de janeiro de 2003. Em vista estava um regresso à RTP, a casa-mãe, mas, por força das vicissitudes, tal acabou por nunca se concretizar.

Antes disso, foi ainda o rosto da campanha institucional para a realização do Campeonato Europeu de Futebol de 2004, em Portugal, e presidiu à Comissão Executiva da Candidatura Portuguesa.
Em outubro de 2011, depois de vários anos afastado dos ecrãs, foi anunciado, através de uma entrevista à revista Pública, o seu regresso à televisão, como apresentador de um programa num futuro canal de cabo, a House TV, um projeto dirigido por Carlos Noivo, ainda embrionário. O projeto do canal acabou por não se concretizar e, desta forma, Carlos Cruz não pôde regressar à televisão.
Carlos Cruz foi casado três vezes. O primeiro casamento com Lisete Barbieri Figueiredo, o segundo com a brasileira Marluce, de quem teve a sua primeira filha, Marta Cruz, e o terceiro casamento com Raquel Rocheta, do qual nasceu a sua segunda filha, Mariana.
Fonte Biografia: Wikipédia