Nem em noite de aniversário, Herman perde uma oportunidade de fazer o que mais gosta. Estar em palco, a dar espetáculo, nas Festas de São José, no Campo Infante da Câmara, em Santarém, show marcado para as 22 horas…
Após uma salva de palmas e desejos de muitas felicidades, o pai do humor contemporâneo português fez o balanço de um percurso admirável.
Em declarações exclusivas ao DIOGUINHO, nesta data querida, Herman resumiu-se:
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“Chegar aos 72 anos com um sentimento de felicidade e realização não é um acaso: é quase sempre o resultado de uma vida vivida com consciência, aceitação e alguma coragem. Há, nesta idade, uma espécie de liberdade nova.
Já não é preciso provar tanto aos outros. As urgências diminuem, os ruídos perdem importância, e aquilo que realmente conta, ganha um peso maior. Uma pessoa realizada aos 72 anos, regra geral, não é alguém que fez tudo certo, é alguém que aprendeu a fazer as pazes com o que não correu como esperado. Ser feliz aos 72 não é viver numa euforia constante.
É, muitas vezes, uma felicidade tranquila, quase discreta. Uma espécie de paz que, quando chega, é talvez uma das maiores formas de realização que a vida pode oferecer”.
Herman José, nome artístico de Hermann José von Krippahl, nasceu em Lisboa a 19 de março de 1954, com ascendência e nacionalidade alemã.
Considerado pelo público como o verdadeiro artista, é filho de pai com nacionalidade alemã e espanhola, Hermann Ludwig, falecido em 1999, e de mãe portuguesa, Maria Odette Antunes Valada, de 93 anos, apelidada carinhosamente por “Estrepitosa”.
A sua estreia na televisão aconteceu em 1973, como baixista de um trio chamado Soft. Pouco depois, integrou o grupo In-Clave, a banda residente do programa “No Tempo Em Que Você Nasceu”. No entanto, foi após o 25 de Abril de 1974 que a sua carreira ganhou um novo impulso.
Estreou-se como ator no Teatro ABC, na peça “Uma no Cravo, Outra na Ditadura”, e, em 1975, Nicolau Breyner convidou-o para o seu programa, “Nicolau no País das Maravilhas”, onde se destacou na rábula “Sr. Feliz e Sr. Contente”.
A década de 80 marcou o início dos seus próprios programas de humor, como “O Tal Canal” (1983) e “Hermanias” (1984), que revolucionaram o panorama humorístico português. Personagens como José Estebes, Serafim Saudade e Dr. Pinóquio tornaram-se ícones da cultura popular.
A sua liberdade criativa, por vezes controversa, testou os limites da jovem democracia portuguesa. Ao longo da sua carreira, Herman José transitou por diversos canais de televisão, incluindo RTP, SIC e TVI. Apresentou talk-shows de sucesso como “HermanSIC” e “Cá por Casa”, onde entrevistou inúmeras personalidades nacionais e internacionais. Em 2024, celebrou 50 anos de carreira com uma digressão pelo país, acompanhado por uma orquestra.
Para além da televisão, Herman José também se destacou na música, com êxitos como “Saca o Saca-Rolhas” e “A Canção do Beijinho”. Participou no Festival da Canção em 1983, com o tema “A Cor do Teu Baton”, alcançando o segundo lugar. Foi proprietário do Teatro Tivoli, em Lisboa, e criou a sua própria produtora, a HZP.
Herman José foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito em 1992 e Grande Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique em 2023. Em 2025, recebeu o Prémio Universidade de Coimbra, um reconhecimento do seu contributo para a cultura e a liberdade de expressão em Portugal.