Joana Gonçalves vence a doença e rejeita título de ‘guerreira’: “O cancro é uma merda”
No Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, o V+ TVI recebeu Joana Gonçalves. A convidada explicou porque não gosta de ser chamada guerreira, lembrando que "as mulheres que morrem não lutaram menos".
No Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, o programa Bom Dia Alegria do V+ TVI, apresentado por Merche Romero e Zé Lopes, recebeu Joana Gonçalves, uma sobrevivente que decidiu partilhar a sua história de forma crua e inspiradora, começando por rejeitar os eufemismos habituais associados à doença.
A conversa iniciou-se com a apresentação do livro da convidada, cujo título reflete o seu pragmatismo: “O Cancro é uma Merda”. Zé Lopes destacou a frontalidade de Joana: “A nossa primeira convidada é uma convidada muito especial, porque tem um percurso inspirador. Embora ela assuma, sem grandes floreados, que o cancro é uma merda”.
Merche Romero concordou com a abordagem direta: “As coisas pelos nomes, até porque se chamarmos desta forma, e se tivermos a preocupação e a precaução, e também a prevenção, a tempo conseguem salvar muitas vidas”.
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Quando elogiada pela sua força, Joana Gonçalves fez questão de esclarecer porque recusa o rótulo de “guerreira“, habitualmente colado a quem enfrenta esta batalha e explicou: “Não gosto desse termo, mas explico-te porque é que eu sinto que não sou. Por causa das mulheres que morrem, ou seja, as mulheres que morrem não são menos guerreiras, não lutaram menos. Por isso, eu não me sinto guerreira, não sinto que tenha lutado por nada, principalmente por essa comparação, que isto é muito um jogo de sorte ou azar”.
Joana reforçou que, apesar da confiança na medicina, o desfecho tem fatores incontroláveis: “Confias na ciência, obviamente, mas depois tens sorte de a quimioterapia funcionar em ti. Só por isso é que eu recuso um bocadinho o título de guerreira”.
A convidada recordou o momento em que descobriu a doença, graças ao hábito da auto-palpação, incentivado por exemplos públicos como Sofia Ribeiro e Joana Cruz, e descreveu o episódio: “Eu no banho faço a palpação normal que tu tens de fazer. E ao fazer este movimento aqui, sinto aqui nesta zona um caroço. Muito, muito rijo… e não era propriamente pequeno, porque eu senti ao bem”.
O instinto disse-lhe de imediato que a situação era grave: “Achei, não sei explicar, alguma coisa me disse que isto não seria bom e tinha que imediatamente ir à minha médica”. A resposta clínica foi rápida e preocupante, como relatou: “Logo nesse dia, na ecografia, a médica disse que a probabilidade de ser cancro era de 60%, por isso percebi logo”.
Joana Gonçalves, fiel à sua personalidade prática, preferiu encarar a verdade de frente desde o primeiro minuto e afirmou: “Eu lido bem com a informação, eu não lido bem com falta dela… Por isso, tendo o problema, que é um diagnóstico de cancro, no meu caso triplo negativo, que é um cancro muito agressivo de mama, ok, o que é que vamos fazer agora? E é tratar”.
A decisão de expor o processo nas redes sociais não foi imediata, mas tornou-se inevitável e, posteriormente, uma missão de entreajuda e explicou a sua motivação: “Eu não ia ficar escondida um ano. Eu ia ficar careca, as pessoas iam perceber… Mas na altura, quando o faço, até foi uma perspetiva um bocadinho… pragmática… e depois também passou a ser-me quase um bocadinho egoísta, porque eu recebi tantas mensagens de tantas mulheres a apoiarem-me”.
A nortenha partilhou como a comunidade online forneceu-lhe dicas valiosas para atenuar os efeitos secundários dos tratamentos e deu um exemplo prático: “Há dicas, tenho uma que se tornou amiga, a Madalena, que me deu uma dica muito simples, que era comprar umas luvas de gelo nas quimioterapias… Com as luvas de gelo evitas que a quimio vá até às pontas”.
Ao perceber o valor desta partilha, Joana Gonçalves sentiu que tinha o dever de retribuir: “Eu fui recebendo tantas dicas de outras mulheres que me ajudaram tanto nesse processo. Eu achei, obviamente, que não podia ser tão egoísta e deixar de partilhar porque sabia que podia ajudar outras mulheres”.