Joana Marques sem filtros sobre o seu humor: “Percebo perfeitamente que as pessoas não gostem”
A convidada do podcast Bate Pé desmistificou a ideia de que os humoristas não podem gozar com colegas de profissão. Na mesma conversa, assumiu que ouve tudo antes de criar os guiões.
Joana Marques foi a mais recente convidada do podcast Bate Pé, conduzido por Mafalda Castro e Rui Simões.
A conversa centrou-se inevitavelmente no sucesso e nas consequências da sua rubrica matinal na Rádio Renascença, o “Extremamente Desagradável”, com a humorista a assumir que compreende a azia de quem é alvo das suas piadas.
A radialista garantiu que não tem qualquer intenção de ferir sentimentos, mas admitiu compreender a frustração de quem se vê exposto: “Não faço com a intenção de ofender, mas sei que é provável que a maioria das pessoas não goste. De vez em quando há uma ou outra que eu acho que não quer mesmo saber. Eu acho que a pessoa, se não se leva nada a sério, mais facilmente não quer saber. Acredito que há pessoas que nem ouvem.”
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Questionada sobre o assédio moral e as mensagens negativas que recebe, Joana Marques recordou a onda de ódio mais intensa que enfrentou, gerada pelos fãs mais jovens de youtubers portugueses: “O nível foi ainda na Antena 3. Fiz um episódio sobre os youtubers, era tipo os 10 mandamentos do YouTube. E era com vários. Era tipo o Tiagoovski, o RicFazeres, o Wuant, e brincava com uma coisa de cada um. Na altura do Wuant, eu dizia que o Wuant era mal-educado para a mãe. E aquilo, na altura, foi a primeira vez que eu senti assim uma onda de imensa gente a comentar ao mesmo tempo e tudo. Os dias que eram comentários, muitos deles de miúdos de 10 anos ou 11. E a lógica era tipo: quem te dera receber o que eles recebem. Eles são ricos e tu não.”
O impacto dessas piadas refletiu-se até na sua vida pessoal, com um episódio insólito a envolver o familiar de um amigo: “Nessa altura tive um sobrinho de um amigo meu que queria recusar cumprimentar-me. Porque o miúdo de 9 anos estava sentido que adorava o Wuant. Então ele, de repente, não me queria falar. Eu era tipo o anticristo.”
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Sobre a possibilidade teórica de fazer humor sem ferir suscetibilidades, a comediante imaginou o cenário perfeito para o seu trabalho diário na rádio: “Se eu pudesse escolher a pessoa visada naquele dia não poder ouvir, era o melhor dos dois mundos. Entretinha as outras que gostam. E aquela especificamente que pode ficar ligeiramente magoada aqui ou ali não ouvia. Não dá, não é?”