Judite Sousa estreia-se na ficção literária com novo livro: “Escrever é emocionalmente pesado”
Após 40 anos a relatar factos, a comunicadora aventura-se na ficção e confessa as suas inseguranças. O livro foca-se no território de intimidade de dez personagens femininas.

A ex-jornalista Judite Sousa prepara-se para lançar um novo livro no próximo dia 30, marcando a sua estreia absoluta no domínio da ficção literária.
A obra cruza a História com as feridas profundas de dez mulheres, e a autora concedeu a sua primeira entrevista sobre o projeto à revista Nova Gente, abordando os desafios deste novo capítulo profissional.
Depois de 40 anos dedicados a relatar factos na televisão e com 11 livros publicados, Judite Sousa rejeitou qualquer paralelismo entre o seu passado profissional e esta nova fase. “A minha escrita nada tem a ver com a minha carreira. O meu trabalho jornalístico fala por si com o reconhecimento do público expresso em liderança de audiências. A escrita é algo mais sublime. É a minha voz interior através das personagens deste livro”, explicou a autora.
Leia também: “Vem aí um novo escândalo financeiro”: V+ Fama revela falência da agência HIT Management
Questionada se essa voz interior se sente mais livre no campo da ficção para tocar em temas que o código do jornalismo costuma interditar, a comunicadora fez questão de sublinhar o seu novo estatuto. “Este livro não tem a ver com a minha carreira. É um livro de ficção escrito pela Judite Sousa que entregou a sua carteira profissional. É um livro escrito por uma ex-jornalista. É uma obra de ficção que se situa no plano das letras. Podemos dizer que é um território de intimidade nas vidas de dez mulheres que ficcionei”, esclareceu.
Sobre o processo de seleção destas personagens e a possibilidade de algumas histórias terem ficado de fora por serem demasiado intensas, Judite Sousa negou qualquer tipo de censura no seu processo criativo. “Não. Eu ficcionei dez como poderia ter ficcionado vinte. É o livre arbítrio de um escritor”, atirou. A autora usou o exemplo do prémio Nobel da Literatura Mario Vargas Llosa, que escreveu um romance sobre a prima direita com quem casou, para justificar que “na prosa literária, a liberdade de criação não tem limites”.
Leia também: Rui Pereira alerta para danos graves dos reality shows na saúde psíquica: “Como os maços de tabaco”
Ainda assim, a ex-jornalista admitiu que o processo foi exigente e obrigou a paragens. “Escrever um livro não está ao alcance de todos. E ficcionar, por maioria de razão, também não”, confessou à Nova Gente.
Sem falsos pudores, Judite Sousa partilhou a vulnerabilidade que sentiu ao longo da criação da obra. “Assumo perante o leitor as minhas dúvidas e as minhas inseguranças pela simples razão de que nunca tinha entrado no universo da ficção. Todos os escritores em algum momento partilharam os mesmos avanços e recuos. Escrever é emocionalmente pesado”, rematou.