No programa “Linha Aberta” da SIC, Hernâni Carvalho recebeu Luís Maia para esclarecer todas as dúvidas e afastar “teorias da conspiração” sobre a morte de Maycon Douglas, apresentando uma cronologia detalhada das últimas horas do jovem.
Luís Maia começou por situar o início dos acontecimentos às 5 da manhã do dia 31 de dezembro, à saída de um bar na Nazaré, onde Maycon teve um “arrufo de namorados”.
“Ao fim de uma noite de diversão, com algum álcool a mais, os ânimos descontrolam-se ali um pouco“, explicou o jornalista, sublinhando que a discussão, inicialmente por “motivos fúteis”, acabou por escalar.
A namorada dirigiu-se para casa de Maycon, onde tinha os seus pertences, mas a tensão continuou à porta da residência. A mãe do jovem ainda tentou intervir para acalmar os ânimos, mas sem sucesso: “A namorada zanga-se definitivamente, pega no carro dela e vai à vida dela”, relatou Luís Maia. Segundos depois, Maycon faz o mesmo.
Às 5h28, uma câmara de vigilância capta luzes de um automóvel a chegar ao farol, numa zona escura “como breu”. Era o carro de Maycon, que virou à direita em direção à Praia do Norte.
Já no local, e num estado de “grande agitação”, o jovem tentou ligar à namorada, que não atendeu e acabou por bloquear o número. Maycon ligou então a uma amiga dela e, por fim, à própria mãe, em chamadas descritas como tendo um “tom de despedida”. “Ninguém acreditaria que ele ia terminar desta forma”, lamentou Luís Maia.
Hernâni Carvalho destacou o comportamento comum em situações de desespero: “Muitas pessoas que se mandam de precipícios, à última hora ainda fazem chamadas e, de alguma maneira, ainda tentam repensar na atitude”.
A utilização do telemóvel cessou às 5h40, hora provável em que Maycon tomou a decisão fatal.
O carro foi encontrado a 1 de janeiro, a seis metros de profundidade, com um detalhe crucial: “Estava engatado em primeira”. Para Hernâni Carvalho, isto indica que não havia grande velocidade, mas sim uma decisão tomada. O vidro da frente do veículo estava partido, o que levou os especialistas a debaterem se Maycon teria tentado sair.
“Eu acredito que, no limite, ele tenha tentado sair e tenha conseguido sair pela frente”, analisou Hernâni, ressalvando que a morte por afogamento é “uma coisa muito trágica, muito violenta”.
Luís Maia acrescentou que, mesmo que o vidro tenha partido com o impacto na água ou nas rochas, a entrada súbita de água fria e a escuridão tornariam qualquer tentativa de salvamento quase impossível, “A hipótese de haver ali uma intervenção de terceiros e um crime nunca esteve em cima da mesa para as autoridades”, concluiu o jornalista, encerrando as especulações que surgiram devido à ausência inicial do corpo.