Luís Osório assinala 25 anos do Big Brother e elogia Zé Maria: “Foi embalado numa mentira”
Zé Maria, vencedor do Big Brother 1. O jornalista recordou a fama, a depressão e a atual vida de jardineiro.
O jornalista Luís Osório dedicou o seu espaço de opinião, o “Postal do Dia”, a Zé Maria, o icónico vencedor da primeira edição do Big Brother em Portugal, assinalando os 25 anos do formato.
O cronista fez uma viagem no tempo para recordar a ascensão, a queda e a redenção do jovem alentejano.
O autor começou por relembrar o impacto imediato do concorrente na sociedade portuguesa: “Também eu vi o primeiro Big Brother. O Zé Maria tornou-se um ídolo, faz agora 25 anos. De repente, entrou-nos pela casa um jovem que não era como os outros. Uma espécie de criança grande que dizia coisas de uma ingenuidade que comovia, de uma pureza que lhe era natural, como se tivesse nascido num outro planeta.”
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Luís Osório descreveu depois a exploração comercial da sua imagem após a saída da casa da TVI: “Zé Maria ganhou o concurso e tornou-se uma estrela. Fizeram-se anúncios em que ele aparecia a vender isto e aquilo. Pagavam-lhe para ir a discotecas. As senhoras de Cascais e da Lapa adoravam tê-lo nas suas vernissages. Foram feitas t-shirts com a sua cara e frases que disse nas suas intermináveis e deliciosas conversas com as galinhas na quinta.”
A pressão mediática acabou por ter consequências trágicas, como assinalou o texto: “O Zé Maria desapareceu depois das nossas vistas. Não aguentou a pressão mediática. Entrou numa depressão profunda. Tentou suicidar-se. E tornou-se um exemplo do que a televisão, do que a fama, pode fazer quando as luzes se desligam.”
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O cronista aprofundou as razões que levaram ao limite do ex-participante: “Zé Maria embarcou num conto de fadas. Foi embalado numa mentira de que não se conseguiu proteger. E um dia não teve a certeza se as pessoas gostavam dele ou o gozavam. Se eram suas amigas ou o utilizavam. Se queriam estar próximas ou o desejavam enganar. Foi aí que quis desaparecer. E foi aí, que depois de ter sido salvo, percebeu que tinha de fugir de uma outra maneira.”
O artigo terminou com um retrato da vida atual e pacata de Zé Maria na sua terra natal: “O Zé Maria é hoje jardineiro. Sabe preparar a terra. Sabe plantar e regar. Sabe controlar as pragas. Sabe como falar com as plantas que parecem reconhecer o que lhes diz – como antes as galinhas paravam para o ouvir. Os amigos de sempre, abraçam-no. Os velhotes de Barrancos acenam à sua passagem. As crianças do lugar sabem quem é, sabem a sua história e até a história do seu admirável silêncio.”
A fechar a homenagem, Luís Osório deixou um elogio à postura de sobrevivência do alentejano: “Zé Maria é um exemplo. Foi um exemplo quase se tornou uma estrela por ser tão diferente das outras estrelas. E é um exemplo quando escolheu o silêncio como modo de sobrevivência. De uma maneira ou de outra, o Zé foi sempre especial. Uma criança grande nuns olhos puros e ingénuos. Se existe um outro mundo melhor então o Zé Maria está em vantagem sobre a maioria de nós.”