Luís Osório assinala os quase seis anos da morte de Pedro Lima: “Tenho saudades dos abraços que não demos”
O jornalista dedicou a sua crónica 'Postal do Dia' à memória do ator. O texto emotivo abordou o estigma da depressão e o vazio partilhado entre os dois.
A morte de Pedro Lima, ocorrida há quase seis anos, foi recordada esta semana por Luís Osório.
Através da sua crónica ‘Postal do Dia’, o jornalista e escritor dedicou um texto profundamente emotivo à memória do ator, refletindo sobre o impacto da tragédia e a incompreensão social que ainda existe em torno da depressão.
Luís Osório começou por sublinhar o choque que a notícia provocou no país, lembrando que o ator aparentava ter uma vida perfeita, com sucesso profissional e uma família estruturada. Criticou a falta de empatia de quem julga a situação sem compreender a verdadeira e sombria natureza da doença mental: “Recordo os dias a seguir à tragédia, a dificuldade de muita gente explicar a razão para alguém com tanto sucesso, para um tipo que era luminoso quando nos sorria, que parecia estar de bem com a vida, bonito e imparável, pudesse desprender-se assim. Perguntas e questões que só podem ser colocadas por quem não sabe o que é uma depressão, por quem não reconhece uma tristeza que nos zumba aos ouvidos e nos devora as entranhas, que nos obriga a mergulhar até ao fim de um poço onde não há luz possível.”
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O autor da crónica partilhou um episódio pessoal vivido com Pedro Lima em 2018, durante a apresentação de um livro que dedicou à sua mãe.
O jornalista revelou que, apesar de não serem amigos íntimos, partilhavam um vazio silencioso e traumas de infância por resolver: “Não fomos amigos, mas tínhamos em comum um vazio. Em 2018, na apresentação do livro que dediquei à minha mãe, recordo as lágrimas do Pedro e a nossa longa troca de mensagens. Há qualquer coisa que fica dos tempos em que não nos lembramos, uma ausência de qualquer coisa que perdemos na infância, qualquer coisa que nos molda e nos magoa ou nos faz gigantes. O Pedro tinha isso, um desejo do que não tinha, não sabendo ele o que lhe faltava, uma procura incessante pelo que não era possível de encontrar, uma vontade de felicidade sabendo que tal luxo estava-lhe vedado.”
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A finalizar a homenagem, Luís Osório confessou a mágoa por não ter tido a oportunidade de ajudar o ator a superar a doença com a sua própria experiência de sobrevivência. Dirigiu ainda uma mensagem de conforto e força aos cinco filhos de Pedro Lima, pedindo que guardem o orgulho e a melhor memória do pai: “Tenho saudades dos abraços que não demos, do que não lhe pude dizer, do que não lhe contei de mim, dos truques que usei para subir do poço para a luz. Mas ainda assim, independentemente de tudo, foi enorme e deixou cinco filhos que não têm de se sentir órfãos de um pai com demasiada pressa, têm de sentir orgulho de um pai que lhes provou o quanto a vida tem de imponderável, absoluta e ridícula. Orgulho de um pai que abraçava como ninguém, que sorria como poucos, uma das pessoas mais bonitas que conheci.”