É “escritor, jornalista, consultor, pai, inquieto, paradoxal, crente, egocêntrico, excessivo”.
Luís Osório, nascido a 15 de Setembro de 1971 em Lisboa, tem onze livros publicados, o mais recente dos quais ‘A Última Lição de Manuel Sobrinho Simões’. É cronista diário na Antena 1, onde assina o Postal do Dia. Escreve todos os dias nas redes sociais, com muitos milhares de seguidores. Foi diretor de jornais e de uma estação de rádio. Ganhou prémios como criativo e autor de programas de televisão. É consultor político e empresarial. A partir do livro ‘Ficheiros Secretos – Histórias Nunca Contadas da Política e da Sociedade Portuguesas’, que transpôs para palco com um monólogo de grande sucesso, percorreu o país e esgotou salas emblemáticas, como o Teatro Tivoli, em Lisboa, e a Casa da Música, no Porto. É pai do André, do Miguel, do Afonso e da Benedita.
DIOGUINHO – Como se define?
LUÍS OSÓRIO – Um tipo paradoxal. Boa pessoa com maus pensamentos. A gostar de pessoas e a detestá-las. Otimista e melancólico. Afetivo e distante. Inquieto e a precisar de apaziguamento. Combatente contra as certezas, apologista da dúvida.
A sua virtude preferida?
A que não tenho; apaziguamento.
A qualidade que mais aprecia numa pessoa?
Ser uma pessoa livre e que acredita numa ideia de liberdade.
O que mais gosta nos seus amigos?
Serem pessoas livres e que combatam por uma ideia de bem. Que sejam realmente boas pessoas. Que não estejam grávidos de si próprios.
O seu principal defeito?
Ser absoluta e radicalmente solitário. Mesmo estando acompanhado.
A sua ocupação preferida?
Ler, sempre.
Qual é a sua ideia de “felicidade perfeita”?
Não há felicidade. Não há perfeição. Fujo dos que gastam a língua com essas duas palavras.
Um desgosto?
A traição de um amigo.
Em que país gostaria de viver?
Portugal, sempre.
O autor preferido em prosa e poesia?
Mc’Ewan e Pessoa.
Herói e heroína da ficção?
Sancho Pança e Blimunda.
Herói da vida real?
Gisele Pelicot
Os apresentadores de TV preferidos?
Manuel Luís Goucha e Filomena Cautela
Atores favoritos, portugueses e estrangeiros?
Albano Jerónimo, Isabel Abreu, Gary Oldman, Tilda Swinton –
Canal de TV preferido e porquê?
RTP – fundamental a defesa do Serviço Público num tempo em quase nada é serviço e cada vez há mais alergia ao que é público.
Participaria num reality show?
Não.
O que detesta, acima de tudo?
Que me chateiem a cabeça partindo do princípio que têm a verdade ou que acreditam ter uma superioridade moral, de classe ou financeira. Detesto as pessoas que têm caganças ou que são arrogantes.
A pessoa viva ou histórica que mais despreza?
Há vários seres desprezíveis. Difícil escolher por serem a corporização de algo maior do que eles – há um tempo perfeito para que nasçam homens e mulheres desprezíveis, com falta de empatia.
Como gostaria de morrer?
Com as contas ajustadas comigo próprio, uma luz na mesa de cabeceira e os meus filhos por perto.
Estado de espírito atual?
A sentir-me envelhecer, mas com a ideia de que terei mais futuro do que passado até ao último dia.
Os erros que mais perdoa?
Os que não ferem os outros mais do que ao próprio.
A filosofia de vida?
Estar sempre às horas certas nas estações onde os comboios param. Para que possamos entrar – mesmo que, tantas vezes, eles não parem e nos deixem apeados.
Mensagem para os fãs e para os haters?
Oiçam Bowie a cantar que há vida em Marte. Os primeiros pressentirão sonho e utopia nessa viagem e os segundos poderão levantar o bilhete para uma viagem inesquecível onde poderão ter a oportunidade de se encontrar ou de encontrar uma ocupação melhor do que chatear os cornos a alguém.