Maycon Douglas já tinha ameaçado suicidar-se na Nazaré: “Vou direto ao farol e acabo com isto”
A revelação foi feita por Hernâni Carvalho no programa "Casa Feliz". O analista criminal e o psicólogo Mauro Paulino explicaram como o álcool e o "desespero acumulado" podem ter sido o gatilho fatal numa noite de grande agitação interior.
No seguimento da análise à morte de Maycon Douglas, o programa “Casa Feliz” reuniu um painel de especialistas para debater os contornos psicológicos e criminais da tragédia.
Hernâni Carvalho fez uma revelação perturbadora que ajuda a contextualizar o desfecho fatal: o jovem já tinha verbalizado a intenção de pôr termo à vida naquele local específico.
“Eu sei que, em tempos, o Maycon, ou a outra altura, ainda estava a falar com a cadiva: ‘vou direto ao farol e acabo com isto'”, citou o analista, sugerindo que a imagem do suicídio no farol já existia na mente do ex-concorrente.
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Para Diana Chaves, esta informação aponta para uma “morte anunciada”, onde o desespero de momentos anteriores pode ter deixado marcas profundas.
Carlos Pinto do Carmo, antigo inspetor da Polícia Judiciária, destacou a importância da reação da mãe de Maycon, descrevendo-a como “uma senhora muito transparente” que, ao contrário do que é comum, não entrou em negação.
“A mãe, o sentimento da mãe, que é das primeiras pessoas a interiorizar que o filho está morto, diz tudo. E diz tudo porquê? Porque conhece o filho e sabia dos antecedentes”, explicou o especialista.
O painel abordou ainda o papel do álcool na noite fatídica. Hernâni Carvalho recordou que Maycon teve uma noite “preenchida com copos”, o que, segundo o psicólogo Mauro Paulino, “desinibe o comportamento e a capacidade de avaliar riscos”.
Mauro Paulino alertou que o suicídio raramente é um ato isolado, mas sim “um acumular de circunstâncias, de características pessoais, de eventos de vida”, onde a pessoa sente um “estreitar da consciência” e vê a morte como única saída.
“A mensagem a passar é nunca desvalorizar uma ameaça, nunca desvalorizar o sinal”, frisou o psicólogo, defendendo a necessidade de apoio profissional imediato perante este tipo de avisos.
Sobre a investigação, Carlos Pinto do Carmo garantiu que a polícia, embora atenta ao ruído mediático, pauta-se pela objetividade: “Desde o início que existiram sempre mais dados no sentido do suicídio do que no sentido do crime”, afirmou, lembrando que não havia qualquer motivação aparente para um homicídio.
Contudo, o antigo inspetor da PJ ressalvou que o caso ainda aguarda uma peça fundamental: o exame toxicológico: “Isso também pode ser importante para se perceber um pouco mais do estado em que ele se encontrava. Porque pode não ser só o álcool, pode ser álcool e mais alguma coisa”, concluiu.
Apesar das “teorias da conspiração” que aumentaram o sofrimento da família, os dados apresentados no programa da SIC apontam todos para um cenário de grande agitação interior, culminando numa decisão irreversível tomada num momento de desespero.