Nuno Markl assinala Dia Nacional do Doente com AVC: “Tenho orgulho em ser um sobrevivente”
Numa longa e emotiva partilha no Instagram, o animador da Rádio Comercial refletiu sobre o "terror da meia idade" e agradeceu aos profissionais de saúde que o ajudaram.
O humorista e radialista Nuno Markl assinalou esta terça-feira, 31 de março, o Dia Nacional do Doente com AVC, partilhando um longo e emotivo texto na sua conta de Instagram.
A recuperar de um valente susto de saúde sofrido há uns meses, o animador das Manhãs da Comercial abriu o coração sobre a nova realidade que enfrenta e os progressos motores que tem alcançado na reabilitação.
“Algumas palavras sobre o dia. Se há um ano me dissessem que ia ter um novo dia no calendário… Bem, OK, talvez tivesse ido medir a tensão e seguido para o hospital antes de suceder sarilho. Mas aqui estamos”, começou por escrever. “Hoje celebra-se o Dia Nacional do Doente com AVC, e há um inesperado orgulho em fazer parte deste dia e desta comunidade.”
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O autor de “O Homem Que Mordeu o Cão” aproveitou a data para expressar a sua profunda gratidão a todos os que o têm acompanhado nos últimos meses. “Sobreviver a isto é coisa para a qual conta a vontade de viver de um sujeito, mas, acima de tudo, o monumental trabalho de profissionais da medicina, da fisioterapia, da enfermagem, auxiliares, bombeiros, devo a tanta gente estar vivo e a reconstruir-me, mais às pessoas amadas, na família e fora dela. O Dia Mundial do Doente de AVC é o dia de tudo isto: da ciência, do cuidado, do amor e da amizade.”
Acompanhando o texto com uma fotografia descrita pelo próprio como “algo parva”, Nuno Markl detalhou a sua condição física atual, focando-se nas pequenas grandes vitórias que tem conquistado na recuperação. “Tirei esta foto algo parva porque resume tudo: estou numa cadeira de rodas MAS já consigo elevar a perna esquerda para fazer companhia à direita; não mexo bem a mão e o braço esquerdos MAS faço a minha almofada de mãos, por enquanto, só com a direita; entrei aqui a pesar 103 kg MAS agora peso 91. Tenho orgulho em ser um doente sobrevivente de AVC, embora não quisesse sê-lo.”
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Num tom mais introspetivo, o radialista dirigiu uma mensagem específica ao público masculino, criticando a resistência comum em procurar ajuda e fazer exames de rotina. “E agora deixem-me falar em particular com os homens que me leem: malta, não ir ao médico, evitar check-ups, exames, análises, não faz de nós mais homens. Conheço homens que falam disso com um estranho orgulho, o da negligência. Vai dar sarilho grosso, malta.”
Fazendo uma franca autoanálise da sua própria postura antes da doença lhe bater à porta, Markl confessou o seu erro e o medo de envelhecer. “Eu era isso; nunca achei que era mais macho por achar que estava sempre são que nem um pêro, mas, no fundo, tinha em mim a semente do gajo que não precisa de ir ao médico porque está bem à brava. No fundo, tinha o terror da meia idade (os drop dead years, como diz o Bill Burr): o de me descobrirem algo potencialmente trágico. E metia a cabeça na areia.”
O longo desabafo terminou com um apelo universal à prevenção e uma forte mensagem de companheirismo aos que o leem a passar pela mesma situação: “Falo agora para toda a gente: vão ao médico, confiem nos médicos. E falo agora para quem está a passar pelo mesmo que eu, os meus compadres e comadres de Dia Nacional: estamos juntos, aprendendo uns com os outros, temos o direito de nos irmos abaixo sempre que for preciso; voltaremos acima.”