O desabafo cru de David Motta: “A sensação de ver uma mãe na prisão é a sensação de visitar uma prisão”
O comentador do Passadeira Vermelha abriu o coração sobre o período negro que se seguiu à detenção de Maria das Dores. A viver em Nova Iorque na altura, o stylist viu 90% da família virar-lhe as costas.
A vida de David Motta esconde capítulos pesados por trás da imagem mordaz e descontraída que apresenta habitualmente no Passadeira Vermelha.
Numa entrevista rara e intimista ao site Fama Show, o consultor de moda abriu o livro sobre o evento mais traumático da sua juventude: a detenção da mãe, Maria das Dores, condenada a pesada pena de prisão pelo homicídio do segundo marido.
A infância, descrita como feliz e equilibrada apesar do rigor conservador dos pais e do divórcio aos 10 anos, ruiu subitamente. Na altura, com apenas 19 anos e a viver em Nova Iorque, o chão fugiu-lhe. Sobreviver passou a ser o único instinto, gerido não dia a dia, mas de minuto a minuto num cenário para o qual nenhum livro de psicologia prepara alguém.
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O isolamento foi brutal e quase imediato. O stylist não esconde a desilusão com as pessoas que o rodeavam, assumindo que 90% da sua família e conhecidos simplesmente deixaram-lhe de falar. Houve quem o salvasse no meio do caos, mas a dor e a imaturidade empurraram-no para uma solidão rebelde.
A viver em Londres durante quase uma década, a distância física não atenuava o sofrimento dos reencontros. As visitas a Maria das Dores, que cumpriu mais de 17 anos de cadeia, tinham um custo físico devastador para o jovem. O ambiente carregado do estabelecimento prisional sugava-lhe a energia a ponto de o deixar de cama durante uma semana, doente e com fortes dores no corpo.
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“Sentia que ninguém queria estar ali. Os guardas não querem estar ali, os presos não querem estar ali, as visitas não querem estar ali. Ali há raiva, mágoa, arrependimento”, partilhou, descrevendo a cadeia como um teto que reúne as piores emoções do mundo. A desconfiança e o ódio no ar tornavam tudo insuportável: “A sensação de ver uma mãe na prisão é também a sensação de visitar uma prisão.”
Apesar do autêntico furacão emocional que atravessava, a terapia não foi opção. Educado numa geração onde a regra era engolir o choro e fingir que estava tudo bem, o rosto da SIC Caras preferiu vestir a capa de forte. A fatura chegou sob a forma de automedicação, um recurso perigoso que encontrou para conseguir dormir.
Só muito recentemente, a caminho dos 40 anos, é que David Motta quebrou o ciclo. O comentador confessou que finalmente procurou ajuda psicológica no último ano, ganhando ferramentas reais para processar as feridas de um passado complexo que agora partilha sem tabus.