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O fim de uma era na moda: Morreu o estilista Valentino, o mestre da elegância absoluta

Valentino (1932-2026): Adeus ao 'último imperador' da sofisticação italiana

O estilista italiano, que transformou o seu nome num sinónimo de luxo e criou uma cor própria, morreu em Roma aos 93 anos.

O mundo da moda despediu-se, esta segunda-feira, de um dos seus pilares fundamentais: Valentino Garavani, o criador que elevou a alta-costura italiana ao topo do reconhecimento global, morreu na sua residência em Roma, aos 93 anos. Com ele, encerra-se um capítulo de elegância clássica e rigor técnico que definiu o guarda-roupa das mulheres mais influentes do último século.

A notícia da partida do mestre foi confirmada pela Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, num comunicado que sublinha a discrição e o conforto das suas últimas horas: “Apagou-se na serenidade da sua residência em Roma, rodeado do afeto dos que lhe são queridos”, informou a instituição que preserva o legado do criador e do seu companheiro de vida e negócios.

Nascido em Voghera em 1932, Valentino foi o exemplo perfeito da simbiose entre o talento latino e o rigor parisiense. Se em Itália despertou para a estética, foi nos ateliês de Jean Dessès e Guy Laroche, na Paris dos anos 50, que apurou o corte e o olhar que viriam a conquistar o mundo. Ao regressar a Roma em 1960, fundou a Maison Valentino, contando com a visão estratégica de Giancarlo Giammetti para transformar o seu génio criativo num império financeiro inabalável.

Nenhum outro criador do século XX conseguiu apropriar-se de uma cor de forma tão absoluta: O “Vermelho Valentino”, um tom vibrante e inconfundível, nasceu de uma memória de juventude numa noite na ópera de Barcelona e tornou-se a sua assinatura mais poderosa. Através dessa cor, Valentino vestiu a dor e a glória de figuras como Jacqueline Kennedy – para quem desenhou tanto o vestuário de luto após a morte de JFK como o vestido de noiva para o enlace com Aristóteles Onassis – bem como divas do cinema como Sophia Loren e Elizabeth Taylor.

Valentino não se limitava a fazer vestidos, ele construía armaduras de sofisticação e o seu estilo, avesso a minimalismos austeros ou a provocações efémeras, baseava-se na celebração da beleza feminina no seu estado mais puro.

Embora se tenha retirado das passarelas em 2008, o estilista nunca se afastou verdadeiramente do universo que criou. O seu nome continua a figurar no topo da moda contemporânea através da Maison Valentino, atualmente sob a direção criativa de Alessandro Michele, que herdou a hercúlea tarefa de reinterpretar os códigos de um homem que se intitulava, sem falsas modéstias, “o último imperador”.

O funeral de Valentino Garavani realizar-se-á na próxima sexta-feira, em Roma, a cidade que o acolheu e que serviu de cenário para a consolidação de um estilo que, tal como o seu vermelho, permanecerá imune à passagem do tempo.

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