O testemunho cru de Manuel Melo sobre as sequelas da dependência na 1ª Companhia
Manuel Melo e José Moutinho discutem o abismo da toxicodependência
Durante uma sessão sobre prevenção de adições no quartel da TVI, o ator e recruta Manuel Melo partilhou a sua experiência com a psicose, alertando para o risco de danos irreversíveis.
O quartel da “1.ª Companhia” serviu de cenário, esta semana, para uma das partilhas mais densas da atual edição do programa. Durante uma aula sobre prevenção para a toxicodependência, Manuel Melo quebrou o silêncio sobre o período mais negro da sua luta contra a dependência, revelando ter sofrido um surto psicótico que se prolongou por um ano, fruto das “insanidades” cometidas no passado.
A conversa começou com uma nota técnica da equipa de enfermagem sobre os gatilhos químicos da doença mental “O consumo de substâncias pode despoletar o aparecimento de algumas doenças mentais, por exemplo, a esquizofrenia“, alertou a profissional de saúde, servindo de mote para a intervenção honesta de Manuel Melo.
O recruta, que nunca escondeu o seu percurso de recuperação, detalhou o impacto das escolhas passadas no seu equilíbrio psíquico: “Eu passei, eu tive um surto psicótico durante um ano, despoletado pelas insanidades que cometi“. Para o ator, a fronteira entre o consumo e a rutura mental é ténue e perigosa. “Existem de facto substâncias que nos podem levar a entrarmos mesmo em curto-circuito connosco e depois é muito difícil; pode degenerar em esquizofrenia ou [no esforço de] voltar à realidade“, explicou.
Recorde aqui o passado com drogas e álcool
O relato não se focou apenas no sofrimento individual do paciente, mas na onda de choque que atinge o núcleo familiar e social “Esse período é de uma dor imensa para quem está à nossa volta“, sublinhou Manuel Melo, sob o olhar atento dos restantes recrutas.
A discussão alargou-se a outras formas de desequilíbrio, com Noélia Pereira a recordar como a privação de sono a levou a um estado de descontrolo semelhante e a um acidente rodoviário. O Comandante José Moutinho contextualizou a questão através da História, ligando o trauma de guerra ao consumo de estupefacientes: “Temos o exemplo dos americanos no Vietname (…) milhares de soldados regressaram à pátria agarrados a todo o tipo de drogas, que lá consumiam exatamente pelo stress da guerra“.
Para Manuel Melo, o testemunho serviu como um reforço da sua “nota de louvor” à resiliência dos que conseguem ultrapassar o abismo das dependências, reiterando que o caminho de volta é longo e, muitas vezes, solitário na sua dor.
Manuel Melo recorda luta brutal contra a toxicodependência: “A minha cabeça rebentou”