Marta Cardoso é o rosto inconfundível dos finais de noite da TVI, mas a sua relação com os reality shows nem sempre foi pacífica ao longo das últimas duas décadas.
Numa entrevista recente e reveladora à revista TV Guia, a apresentadora abriu o coração sobre o período conturbado que viveu em 2021, ano em que decidiu afastar-se temporariamente do pequeno ecrã para proteger o seu bem-estar e reencontrar o equilíbrio profissional.
A comunicadora explicou que a sua ligação umbilical ao formato, por ter sido concorrente na primeira e histórica edição do Big Brother, acabou por dificultar a sua objetividade na hora de analisar o jogo. Marta Cardoso confessou à publicação: “Tive alguma dificuldade em fazer algumas transições, porque não só trabalho о formato, como me sinto muito ligada ao formato. Levei algum tempo a conseguir distinguir a ex-concorrente da profissional de televisão. E é muito fácil que isto se misture no meio do entusiasmo e do calor do momento. Hoje já consegui fazer esse distanciamento, mas ali nos primeiros tempos não foi fácil”.
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A intensidade do trabalho e o excesso de empatia com o que se passava dentro da casa começaram a ter repercussões diretas na sua saúde, levando-a a um ponto de saturação. A apresentadora recordou os episódios de ansiedade que a obrigaram a parar: “Vou dar-lhe um exemplo: saía dos programas, seja a comentar ou a apresentar, e não conseguia dormir, porque as coisas estavam na minha cabeça. Sentia que estava a ser sugada pelo formato e pelo que estava a acontecer. E não queria isso, não sentia que estava a fazer um bom trabalho. Fez-me muito bem estar um ano fora, deixei completamente de ver reality shows, fiz uma espécie de desintoxicação. Quando voltei, já vinha com uma postura completamente diferente”.
Desde 2022, após essa pausa vital, Marta Cardoso assumiu a condução do Extra de forma ininterrupta, uma posição que abraça com profissionalismo, mas sem deslumbre. Consciente dos ciclos naturais do meio televisivo, a apresentadora mostrou-se grata pelo seu percurso e realista em relação ao futuro, concluindo: “Não olho para esta posição como a melhor ou pior do que outras. Tenho excelentes memórias de ser repórter, comentadora, de trabalhar os conteúdos, e de fazer outros programas que não realities. Todas estas experiências trouxeram-me até aqui e a oportunidade de fazer coisas diferentes foi sempre aquilo que me moveu. Depois – e tenho absoluta noção e faz todo o sentido – chegará a minha hora de ir à bica e dar lugar aos mais novos”.
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