Os clássicos começam na sala de imprensa: Sporting e FC Porto
"Foi muito realista dentro daquilo que é habitual por parte de Rui Borges. Acaba por naturalmente..."

O Sporting recebe amanha o FC Porto para o primeiro grande jogo da época, e o treinador dos leões assume o favoritismo.
Logo a abrir, destacou o ambiente interno de quem se prepara para estes momentos: “Deixa-me só referir o bom ambiente do nosso balneário para este jogo. Aqui é sempre bom.”
Um ponto de partida quase intimista que rapidamente deu lugar ao terreno mais estratégico: a velha questão do favoritismo. Botelho recordou que Rui Borges, questionado diretamente, não se comprometeu logo à primeira. “Relativamente à questão do favoritismo, diria que ele não assumiu logo na primeira pergunta. Fintou somente ali já na segunda. Quanto à questão do favoritismo é que assumiu e penso que foi também algo que ele pegou naquele que foi o décimo segundo jogador para assumir esse mesmo favoritismo.”
Mais do que isso: teve um peso extra porque Borges falou antes de Farioli. “Foi muito realista dentro daquilo que é habitual por parte de Rui Borges. Acaba por naturalmente, e é sempre importante referir isso, hoje isso é importante, Rui Borges falou antes de Farioli e, portanto, Farioli acaba por ter também essa provocação, mas vou buscar aquilo que foi Rui Borges.”
A provocação não foi gratuita. Segundo Botelho, houve até uma piscadela de olho ao mercado e ao universo portista, com referências a Villas-Boas, sempre terreno fértil para abrir flancos discursivos. E aqui está o ponto central da sua análise: para Óscar Botelho, os jogos começam antes do apito inicial. “O jogo, como eu já disse várias vezes, não se começa a jogar quando o árbitro apita, começa-se a jogar no jogo anterior, quando termina, e principalmente nas conferências de prensa.”
Nesse palco paralelo, Rui Borges não hesitou em colocar o Sporting como favorito, apontando a força de Alvalade como fator decisivo: “Claramente Rui Borges acaba por dizer que o Sporting vai ser favorito fruto daquilo que é a força e a energia daquilo que é Alvalade, algo que foi evidente no final da época passada e também no jogo, no início da época também, frente ao Arouca.”
Com esse sublinhado, o treinador do Arouca enquadrou a superioridade técnica, tática e estratégica dos leões, ao mesmo tempo que alimentou o espetáculo que se espera de um clássico. Botelho concluiu com uma leitura otimista, dando a entender que tanto Borges como Farioli já começaram a jogar, e a jogar bem, antes de sequer pisarem o relvado. “Acreditam todos os ingredientes para um grande clássico, e os dois treinadores já começaram também muito bem.”