Paulo Rocha recorda como a mudança de país lhe transformou a vida: “Até aos 33 anos nunca tinha ido ao Brasil”
O ator foi o convidado de Júlia Pinheiro na SIC e falou sobre os seus 15 anos no Brasil. O encontro com a mulher e o nascimento do filho José Francisco não estavam nos planos de quem achava que ia fazer apenas uma novela e voltar.
O ator Paulo Rocha, que assinala atualmente 30 anos de carreira, marcou presença no programa Júlia, da SIC, para uma entrevista intimista onde passou em revista o seu percurso profissional e pessoal, com especial foco nas decisões que o levaram a construir uma vida sólida e bem-sucedida do outro lado do oceano Atlântico.
Numa conversa franca com Júlia Pinheiro, o ator explicou que a internacionalização nunca foi um objetivo traçado milimetricamente e que a mudança definitiva para o Brasil resultou de uma conjugação feliz de fatores profissionais e amorosos.
A revelação mais surpreendente do início da conversa prendeu-se com a relação distante que Paulo Rocha tinha com o país irmão antes de lá chegar: “Acho que não. Nunca fiz nenhum movimento nesse sentido. Acho que era muito sonhador e achava que se tivesse que acontecer acabaria por acontecer hoje. Não é muito assim que a vida funciona… Sim, para falar a verdade, até aos meus 33 anos, foi quando fui para o Brasil, eu nunca tinha lá ido sequer”.
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O ator explicou ainda o choque de realidade que teve ao aterrar no Rio de Janeiro: “Eu quando fui para o Brasil e fui fazer a novela, fui convidado, eu não tinha nem noção que era a novela do horário das nove, que era uma novela tão importante, com o impacto que queria ter… E toda a gente à minha volta dizia, não, tu vais para lá? Tu já não voltas? Eu disse, como assim já não volto? Estás doido? Mas depois, eu conheci a Juju, três meses depois. E o resto da história, passaram-se 15 anos”.
Foi precisamente o encontro com Juliana, psicóloga clínica, que alterou irremediavelmente os planos de regresso do ator a Portugal. Sobre o início da relação, Paulo Rocha brincou com a rapidez dos acontecimentos: “Sim, três meses depois, eu costumo brincar, três meses depois de nós nos conhecermos, de eu chegar ao Brasil, ela resolveu logo a questão”.
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A decisão de permanecer no Brasil foi facilitada pela forma como foi recebido, não só a nível profissional, mas sobretudo pela família da mulher. O ator sublinhou esse apoio: “Eu fui muito, muito bem recebido pelo Brasil. Conheci a Juliana. A família Juliana acolheu-me de forma exemplar, são pessoas que eu amo profundamente. Quando o Novelas triou, eu também fui muito bem acolhido profissionalmente, então eu fiquei 11 meses sem vir a Portugal e isso faz com que as raízes sejam criadas de uma forma um bocadinho mais forte, logo desde o início”.
O sucesso de Paulo Rocha no Brasil, ao lado de outros nomes como Ricardo Pereira, abriu portas a uma nova geração de atores portugueses. Questionado sobre o segredo dessa aceitação, o ator apontou a necessidade de integração cultural como fator-chave: “Acho, não sei exatamente a que é que se deve, acho que nós tivemos a sorte, a sorte e a competência, obviamente, mas acho que nós tivemos a sorte de participar em projetos que foram interessantes no momento em que houve essa abertura… Porque eu acho que é importante também as pessoas disponibilizarem-se, quando nós nos propomos a fazer algo, disponibilizarmos-nos também para fazer parte daquela cultura… Sim, ao serviço de misturar, de querer fazer parte daquela cultura também, porque senão fica uma coisa a pouco… Só uma presença, uma presença física e não uma presença emocional, uma presença afetiva”.
O momento mais alto e emotivo da entrevista aconteceu quando Júlia Pinheiro surpreendeu o convidado com uma mensagem em vídeo do seu pai. Após ouvir as palavras de orgulho do progenitor, Paulo Rocha não conteve a emoção e refletiu sobre o lado menos positivo da emigração. O ator desabafou: “Sim, sim. Enfim, são escolhas, não é? E as escolhas têm bónus e ónus. Um dos ónus foi não estar tanto com o meu pai quanto eu gostaria. Apesar de, em relação a ele, eu estou sempre profundamente tranquilo, porque ele é um ser humano que se basta muito… E ele é uma pessoa que se basta muito com a arte dele. Ele é muito envolvido com a sua própria arte e isso dá um… Eu acho que isso dá uma saúde mental, uma força de viver muito grande. Da minha parte, eu fico com pena de não estar tanto com ele, do Zé não estar tanto com ele, como eu gostaria, mas a coisa boa é que vim de fazer estes projetos, vim de fazer estes projetos que ajudam-me muito a que eles estejam juntos e eu com eles”.