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Pedro Chagas Freitas analisa a fundo o escândalo do Secret Story 10: “Não existem campeões que não sejam boas pessoas”

O escritor dissecou a atitude calculista que chocou o país. Na sua visão, não há heróis nem vilões na casa, apenas vítimas de uma feira de vaidade e de um ego contrafeito.

A teia de manipulação e sentimentos feridos protagonizada por Eva, Diogo e Ariana no Secret Story 10 ultrapassou os limites do habitual comentário de reality show e gerou uma reflexão profunda por parte de Pedro Chagas Freitas.

O conhecido escritor, que nunca escondeu o seu fascínio pelo estudo do comportamento humano neste tipo de formatos televisivos da TVI, recorreu às suas redes sociais para partilhar um texto longo, poético e implacável sobre a falta de valores demonstrada no triângulo amoroso que está a parar o país.

A análise de Chagas Freitas arrancou com um episódio pessoal e revelador vivido com o seu filho, que serviu de metáfora perfeita para a relação tóxica exposta na casa mais vigiada do país. “Pai, se o Joker trata mal a Harley Quinn, porque é que ela continua a querer ficar com ele? Numa frase, tudo. Amor-próprio, auto-estima, empatia, coragem, empoderamento”, relatou o escritor, sublinhando a clareza infantil perante relações abusivas. “O meu filho, numa pergunta, a abrir o baú que tantos adultos não têm a coragem de abrir. As crianças são génios que os adultos ouvem pouco. Deve ser por inveja, por medo de saberem o que já deixaram de saber, coitados”, atirou.

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Olhando diretamente para as atitudes gélidas de Eva e Diogo perante o sofrimento de Ariana, o autor não poupou nas palavras para descrever o vazio emocional do jogo. “Neste triângulo, vejo a falta disso tudo, de quase tudo, na verdade. O contrário de amor é desempatia. Não vejo vilões nem heróis; só vejo vítimas. De si mesmas, de algo que ficou por construir algures no caminho, de uma inconsequência fácil, vazia”, refletiu Chagas Freitas. O escritor foi mais longe na sua crítica à forma como os concorrentes encaram as relações, questionando a essência da nova geração: “Parece que vivem numa telenovela antiga, de enredo obsoleto. Estamos a criar, a alimentar, alienígenas da superficialidade? Não vejo profundidade em nada do que vejo ali; só a frase barata comprada na feira da vaidade, no mercado contrafeito do ego”.

Incomodado com a forma como a vulnerabilidade de Ariana foi usada como manobra de diversão para proteger o segredo do casal, Pedro Chagas Freitas deixou clara a sua repulsa pelas atitudes que o país presenciou. “Não suporto quem pisa os que os querem amar. Não suporto quem usa quem está no interior da fragilidade”, garantiu o autor. “Aqui não há inocentes, e são todos inocentes, presos na jaula da necessidade de chamar jogo ao que é veia, ao que é organismo, alma, vida, medo, angústia, pessoas frágeis de si mesmas, viciadas no que não compreendem, no que lhes parece champanhe e é só veneno”.

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A crítica subiu de tom quando o autor analisou o egoísmo puro e duro que motivou as mentiras de Diogo e a frieza de Eva. Para o escritor, a ausência de compaixão é o traço mais grave de toda a polémica. “Não olhar para a dor do outro é uma pulhice. Pior: olhar para a dor do outro e não fazer tudo para a diminuir é uma pulhice”, sentenciou. “Todos, neste triângulo, foram incapazes de fugir do umbigo, da escada que querem trepar, que precisam de trepar para chegarem onde pensam que está o que os saciará de uma alegria qualquer. Não vai estar lá nada”.

Para rematar a sua visão sobre o impacto devastador desta procura cega por protagonismo no Secret Story 10, Pedro Chagas Freitas deixou um aviso sobre a ilusão do prémio e das luzes da ribalta. “O problema de querermos fazer da fama o começo da felicidade é saber o que eu que já sei, o que tantas pessoas já sabem: é mais aquilo que a fama oca termina do que aquilo que começa”, alertou. A reflexão fechou com uma definição poderosa sobre o verdadeiro significado de vitória num jogo que lida com pessoas reais: “O campeão não é o que chega primeiro, não é sequer o que ganha mais vezes; é o que vem de mais longe, é o que vem da verdade mais distante. Não existem campeões que não sejam boas pessoas. Os que ganharam alguma coisa e não são boas pessoas não são campeões nenhuns. São só pessoas que nunca saberão o que é ganhar”.

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