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Psicóloga do Dois às 10 arrasa falsos especialistas na televisão: “As pessoas estão a ser enganadas”

Inês Balinha Carlos deu uma entrevista à revista Nova Gente e não poupou nas críticas à banalização da saúde mental. A comentadora da TVI denunciou a presença de coaches sem formação nos ecrãs.

A psicóloga Inês Balinha Carlos, rosto assíduo do programa Dois às 10, concedeu uma entrevista reveladora à revista Nova Gente.

Com vinte e um anos de experiência em consultório e há pouco mais de um ano a comentar casos criminais na televisão, a especialista defendeu uma psicologia acessível e sem tabus, deixando duras críticas à banalização da saúde mental nos meios de comunicação.

A profissional de saúde recordou o início do seu percurso no pequeno ecrã e revelou que o convite surgiu após o sucesso dos seus textos no Instagram.

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Inês Balinha Carlos fez questão de agradecer aos grandes impulsionadores da sua carreira televisiva e anunciou o lançamento do seu primeiro livro: “Esse não foi o primeiro. O primeiro convite foi o meu padrinho da televisão, a quem agradeço tudo, que é o jornalista Miguel Fernandes. Foi quando eu decidi criar um perfil de Instagram para publicar as minhas histórias e aquilo pegou. Fui para o V+ Crime. Depois veio o Em Cima da Hora com a Conceição Queiroz. E depois a Cristina Ferreira viu-me e disse eu quero aquela miúda. Portanto, o meu padrinho de televisão é o Miguel Fernandes e a madrinha é a Cristina Ferreira. E consegui o objetivo, que é o lançamento de um livro, que vai sair a 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental”.

Questionada sobre a existência de temas proibidos no seu espaço de comentário, a psicóloga foi perentória ao afirmar que os tabus isolam as pessoas e aproveitou para lançar uma farpa aos supostos especialistas que proliferam na Internet: “Nenhum. Eu adoro todos os temas e detesto tabus. Os tabus dão dor no coração, matam uma sociedade. Tudo o que é tabu significa que aquela pessoa está sozinha a descobrir aquele assunto sem apoio técnico. Tal como hoje em dia me choca existirem na Internet tantas pessoas que são coaches e que não têm formação nenhuma. São 80 a 90 por cento das pessoas e cobram por consulta algo que eu nunca vou cobrar, porque o meu objetivo não é dinheiro”.

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A comentadora da TVI aprofundou a sua indignação e alertou para o perigo de a saúde mental estar a ser transformada num negócio lucrativo por pessoas sem qualquer tipo de especialização: “A questão da saúde mental estar a virar negócio. Como há uma procura maior e ser psicólogo implica muitos anos de estudo, há pessoas que estão a ver nisso um nicho de mercado, o que é absolutamente assustador. Muitas estão na televisão e são coaches de relacionamentos ou sexuais, mas não são psicólogos. Há pessoas que estão em vários programas de todos os canais e nem sequer tiveram 20 horas de formação. As pessoas estão a ser enganadas”.

Sem papas na língua, Inês Balinha Carlos apontou o dedo à própria televisão por ser conivente com esta realidade e exigiu mais rigor na escolha dos convidados que assumem o papel de analistas: “Estou a dizer que é escandaloso quando, mesmo na televisão, não é feita uma filtragem. A televisão é um local de prestígio. As pessoas associam que o que lá está é uma mais-valia. Tem que haver respeito pela saúde mental e isso implica um respeito pela ciência e pelas técnicas”.

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