Sá Pinto sobrevive ao terror no Irão
O treinador português fugiu de um país em convulsão e escancarou os horrores dos massacres perpetrados pela polícia do regime, jurando só voltar "quando o regime cair".
Foi uma saída no limite. Ricardo Sá Pinto revelou que as semanas que antecederam a sua fuga do Irão foram um autêntico inferno, prevendo que algo iria explodir perante a onda de manifestações e o clima aterrador.
Em entrevista à CNN Portugal, o antigo futebolista e atual treinador expôs, sem filtros, as barbaridades de que foi testemunha enquanto tentava sobreviver em casa após o cair da noite, “Morreu muita gente que as pessoas não têm ideia. Foi de uma forma inacreditável”, denunciou o português, relatando que a polícia à paisana se misturava entre a multidão pacífica e executava a sangue-frio.
“Matando jovens de 20 a 30 anos com uma arma na cabeça por trás; crianças e figuras públicas, ex-jogadores de futebol”, atirou em choque.
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A proximidade da tragédia deixou marcas profundas em Sá Pinto, que assistiu à morte atroz de conhecidos com quem se cruzara nos relvados do país: “Um deles eu conheci, jogou contra mim há três anos. Estava com a família, deram um tiro na mulher e na miúda também”, recordou horrorizado com o cenário desumano.
Completamente descrente da cobertura internacional que ignorou “80% ou 90% das imagens” da brutalidade que viu, o treinador português salvou a pele ao abandonar o país escassos “dois ou três dias antes” de o conflito escalar para níveis insustentáveis. Depois de ter vivido o terror tão de perto, a promessa está feita: “Pondero, com certeza, regressar quando o regime cair”.
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