Sandra Felgueiras indignada com cheias e colapso de estradas: “Quem não cumpriu os planos?”
O mau tempo que assola Portugal colocou a equipa da TVI em perigo. Sandra Felgueiras partilhou um texto arrepiante sobre a fragilidade humana perante a força da natureza e questionou a eficácia da prevenção num século XXI onde "o Mondego não deveria ceder".
Sandra Felgueiras, um dos rostos mais proeminentes da informação da TVI, recorreu às redes sociais para partilhar um desabafo intenso após dias a cobrir in loco as intempéries que têm devastado várias zonas do país.
A jornalista, que trocou o conforto do estúdio pela imprevisibilidade do terreno, confessou que é nestas condições adversas que sente a sua vocação mais viva. “O terreno é onde melhor cumpro a missão que entreguei a mim mesma quando decidi reportar. Contar as histórias que fazem o presente e que marcam o futuro. Comunicar com palavras e imagens o que só vendo se acredita”, começou por escrever.
No entanto, por trás da imagem profissional que chegou a casa dos portugueses no Jornal Nacional, escondia-se um enorme susto e uma seriedade profunda: “O sorriso na cara foi apenas de teste (…) Por dentro, o meu semblante não ria. Estava como sempre, sereno, perante a agrura de tudo o que nos rodeava”.
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A repórter revelou então um episódio dramático que a equipa viveu e que, por muito pouco, não acabou em tragédia. A força das águas transformou o cenário em segundos, colocando-os em perigo de vida. “Não caímos numa ribeira na qual se transformou um caminho de um momento para o outro porque ainda havia luz ou simplesmente porque Deus não permitiu. Acredito que a verdade está em ambas. A fé dos homens ajuda a derrubar monstros e medos”, relatou Sandra Felgueiras, admitindo que a fronteira entre a segurança e o desastre foi ténue.
Mas mais do que o susto pessoal, o texto de Sandra Felgueiras é um grito de revolta cívica e jornalística contra a falta de preparação do território. Recusando a fatalidade como única explicação, a jornalista exige respostas para o que considera serem falhas inaceitáveis em pleno século XXI. “A razão que nos assiste e diferencia como humanos obriga-nos a perguntar porquê? Não chega prevenir nem avisar (…) O Mondego não deveria ceder. As margens têm de ser seguras. As autoestradas não podem ruir”, enumerou, apontando o dedo à execução das obras públicas e à prevenção.
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Com a determinação que lhe é reconhecida, Sandra Felgueiras terminou com uma promessa de investigação: “Os planos de recuperação e contingência estavam todos feitos. Quem não os cumpriu? A próxima missão é descobrir a verdade que ainda não se vê por entre o lamaçal”.