1ª CompanhiaTVI

Soraia Sousa: Liderança feminina gera “tempestades” no quartel da 1ª Companhia

“Se fosse um homem, calavam-se”: Debate sobre sexismo e a autoridade

A liderança de Soraia Sousa desencadeou desconforto e comentadores apontam o dedo a duplo critério: o rigor que é aceite nos homens é visto como “exagero” quando parte de uma mulher.

A autoridade tem um género no imaginário dos recrutas da “1.ª Companhia”? A pergunta pairou no estúdio do “Diário” da TVI depois de a liderança de Soraia Sousa ter sido posta em causa por um grupo de colegas – curiosamente, apenas mulheres. Para os comentadores Adriano Silva Martins e Marta Gil, a “tempestade num copo de água” gerada no quartel tem raízes num preconceito latente sobre quem pode, ou não, levantar a voz.

A tensão estalou quando Soraia, no exercício das suas funções de recruta da semana, subiu o tom para se fazer ouvir perante o burburinho geral. O gesto, que num contexto militar seria protocolar, foi recebido com crispação por recrutas como Joana D’Arc. Marta Gil foi a primeira a identificar o fenómeno: “Se fosse, por exemplo, o Rodrigo Castelhano ou o Pedro Barroso a dar uma ordem daquela (…) não sei se elas teriam reagido da mesma forma“, lançou a comentadora, classificando a reação das colegas como “muito exagerada”.

O argumento de que o quartel vive uma resistência seletiva à autoridade ganhou peso com a análise de Adriano Silva Martins. O comentador não hesitou em elevar o debate a uma questão sociológica, criticando o que chama de “mood” atual “Há muitas pessoas que não gostam de autoridade. É próprio de sociedades relativistas não gostarem e não reconhecerem uma autoridade“, afirmou Adriano, subscrevendo a tese de que o género do comando altera a perceção da ordem: “Se fosse talvez um Rodrigo ou um Pedro Barroso, elas nada diriam“.

A discussão centrou-se também na “metamorfose” necessária para o papel de liderança e Marta Gil defendeu que a Soraia “porreira” e “camarada” tem de dar lugar a uma figura de comando, sob pena de o programa perder o interesse “Quando eles viram recrutas da semana, há um lado da personalidade deles que tem que vir ao de cima“, explicou. No entanto, é precisamente esse “lado” que parece incomodar o grupo liderado por Joana D’Arc, que Adriano Silva Martins acredita estar a alimentar um conflito que não será esquecido.

Apesar da aparente transparência no quartel, onde as discussões são tidas olhos nos olhos, o comentador deixou um aviso sobre a resiliência do rancor feminino no jogo. Referindo-se a Joana D’Arc, Adriano vaticinou que a “asfixia” do comando de Soraia não passará em branco: “O ‘pito’ não vai cair em saco roto. Ela tomou as dores das outras“. Na “1.ª Companhia”, a guerra pode ser simulada, mas o embate entre a autoridade feminina e as expectativas sociais é bem real.

O detalhe no carro que pode explicar tudo sobre Maycon Douglas

Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo