Susana Dias Ramos recorda luto e regresso à televisão: “O Big Brother salvou a minha vida”
A psicóloga e comentadora deu uma entrevista reveladora à Nova Gente. A morte do pai atirou-a para uma depressão profunda que só o convite inesperado da TVI ajudou a curar.
Conhecida do grande público pelas opiniões sem filtros nos reality shows da TVI, Susana Dias Ramos abriu o livro da sua vida numa entrevista intimista a Nuno Azinheira para a revista Nova Gente.
Aos 46 anos, a especialista em sexologia e neuropsicologia revisitou o seu percurso televisivo e os momentos mais sombrios da sua esfera privada.
Apesar de ter explodido mediaticamente no Big Brother 2020, a aventura no pequeno ecrã começou muito antes. A comunicadora recordou a sua verdadeira estreia: “Sim, eu fui descoberta pelo Porto Canal. Tinha uma rubrica no programa das manhãs, apresentado pelo Ricardo Couto, desde 2012, que se chamava Sem Tabus, o nome que mantenho agora no meu podcast. Entretanto, ao Ricardo Couto juntou-se a Maria Cerqueira Gomes. E durante uns anos eu fiquei por ali.”
Contudo, a psicóloga decidiu suspender a rubrica logo em 2014. O motivo prendeu-se com o facto de o marido não achar “muita graça”, justificando que “ele foge da visibilidade e da exposição pública”. Questionada sobre ter deixado um trabalho de que gostava pelo companheiro, Susana fez questão de clarificar a dinâmica da relação: “Calma, não é bem assim. Eu sou independente, não tenho qualquer posição de subalternidade. Em casa, somos de igual para igual. Mas eu sei que ele foge da exposição. Casei-me em 2014, e decidi parar. E volto à televisão em 2020, a convite da Lurdes Guerreiro.”
A produtora da TVI não conhecia a especialista pessoalmente, o que tornou o convite ainda mais curioso. “Não, isso é que é engraçado. Mas ela seguia o meu trabalho, conhecia o meu podcast e sabia da minha língua afiada e chamou-me para uma reunião na TVI”, revelou, recordando o dia frenético do acordo: “A conversa ficou um bocadinho no ar, mas ela perguntou-me se eu gostaria de integrar o lote de comentadores do BB 2020. A mim pareceu-me uma boa ideia e ficou assim. Nesse dia, voltei para o Porto, parei em Fátima para almoçar e, entretanto, ligaram-me da TVI para eu voltar, porque queriam fazer os testes de imagem.”
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A entrada em ação foi alucinante e moldada pelos tempos de pandemia. “Logo nesse dia. Creio que era uma quinta-feira. Na semana seguinte, comecei a fazer comentário às segundas, quartas e sextas. Vinha três vezes por semana a Lisboa e voltava para o Porto. Foi muito interessante, ainda por cima porque aquilo era uma novidade, quer para mim, quer para a TVI, porque o BB 2020 foi todo feito por zoom, porque estávamos em pandemia”, relatou.
O marido lá teve de se habituar à nova vaga de mediatismo, mas desta vez a postura foi totalmente diferente, influenciada por uma tragédia familiar. “Ele continua a não ser um grande fã de exposição pública. É dentista, cirurgião de recuperação oral, é um homem tranquilo e muito mais comedido do que eu. Essa altura coincidiu com a morte do meu pai, eu estava profundamente deprimida e triste, e ele deu-me todo o apoio para eu aceitar o programa, porque calculava que me ia fazer bem”, partilhou.
A intuição do companheiro estava certa. Numa confissão crua sobre o impacto do programa na sua saúde mental, a comentadora não hesitou em classificar a televisão como uma tábua de salvação: “Fez. Isto pode parecer um exagero, mas eu costumo dizer que o Big Brother salvou a minha vida. Salvou-me de um inferno. A morte do meu pai arrastou-me para uma profunda tristeza. E o Pedro foi-se habituando à ideia, incentivando-me, e hoje é ele que me empurra para ir.”