V+ Fama debate hipocrisia no caso Nininho Vaz Maia: “Há dois pesos e duas medidas”
O V+ Fama debateu o sucesso de Nininho Vaz Maia após as acusações de tráfico de droga. Guilherme Castelo Branco apontou o dedo à hipocrisia da sociedade.
O programa V+ Fama desta sexta-feira abordou a surpreendente reviravolta na carreira de Nininho Vaz Maia.
Apesar de ter sido envolvido numa acusação de alegado tráfico de droga em maio do ano passado, o cantor conseguiu faturar 500 mil euros em concertos, o que motivou um intenso debate sobre a presunção de inocência e a hipocrisia da sociedade.
Adriano Silva Martins lançou o tema questionando o painel se o escândalo teria abalado a carreira do artista.
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Guilherme Castelo Branco foi o primeiro a responder, mostrando-se a favor da presunção de inocência, mas apontando o dedo a um duplo critério na forma como a sociedade julga os crimes. “Eu sou completamente a favor da presunção de inocência. Só que normalmente essa presunção de inocência varia dependendo do caso. Aqui estamos a falar de um caso de tráfico de estupefacientes, que também deveria ser tão grave como muitos outros casos. Só que neste caso estão a fechar um bocado os olhos”, afirmou o comentador.
Guilherme Castelo Branco foi mais longe na sua reflexão e questionou abertamente a diferença de tratamento face a outros crimes. “Se fosse um caso que tivesse associado com algum tipo de violência com uma mulher, achas que a imagem dele não era prejudicada? Isto é que me faz confusão. É como é que um caso de tráfico de droga não afeta e os outros casos já afetam tudo. Isto não me faz sentido”, atirou o rosto do V+ Fama, lembrando que “são ambos crimes hediondos”.
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António Leal e Silva interveio para defender o percurso profissional do cantor. “Acho que a acusação não tem nada a ver com o talento e com o mérito que ele tem enquanto artista”, sublinhou, justificando que “a única coisa que nos deve abalar não são notícias nem acusações, é a nossa consciência”.
O comentador aproveitou ainda o momento para lançar uma farpa aos críticos do programa, referindo-se à sua postura de defesa num caso anterior: “Foi um bocado aquilo que eu fiz com o pai deste menino, que fui dos únicos neste país que nunca o largou. E digo na frente do juiz, na frente de quem quiserem”.
Pedro Capitão corroborou a ideia de que o talento se sobrepõe às polémicas. “Talento é talento. E a prova disso foi, passados poucos dias desta situação, que ele deu um concerto no Porto. Estava cheio de gente”, recordou o comentador, desvalorizando a perda do contrato com a RTP1: “Não acredito que os contratos de concertos com as autarquias em festas que haja, que tivessem sido cancelados. Independentemente de ser inocente ou não, até prova contrária, eu acho que o Nininho Vaz Maia é um cantor muito talentoso, tem um público que o segue”.
O apresentador Adriano Silva Martins rematou o debate sublinhando a conclusão geral do painel. “Há dois pesos e duas medidas e há uma grande hipocrisia nessa cena”, concluiu, reforçando a ideia de que a presunção de inocência não é aplicada de forma igual a todas as figuras públicas.