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Vasco Pereira Coutinho quebra o silêncio sobre a infância: “Sabia que era diferente”

O convidado do Alta Definição abriu o coração a Daniel Oliveira. O processo de aceitação da sua sexualidade e a dor de esconder os insultos da família marcaram a entrevista.

Vasco Pereira Coutinho abriu o coração a Daniel Oliveira no programa Alta Definição, da SIC.

Numa conversa intimista e despida de preconceitos, o convidado recordou os longos anos em que foi vítima de bullying na escola e partilhou o seu complexo processo de autoconhecimento. A conquista da paz interior e a capacidade de deixar de sentir o insulto são vitórias relativamente recentes, alcançadas ao reconhecer-se tal como é e ao superar as barreiras conscientes que o impediram, durante muito tempo, de assumir a sua sexualidade para si e para o mundo.

A infância foi marcada pela presença constante de uma mãe muito jovem, que abdicou dos estudos para cuidar dos filhos e que lhe transmitiu uma enorme capacidade de resiliência.

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Vasco Pereira Coutinho recordou o espírito prático que herdou do seu núcleo familiar mais próximo: “No meu núcleo familiar, a minha mãe sempre foi muito descontraída. (…) A minha mãe foi mãe com 20 anos. Olhando para trás, aprendi muito a desvencilhar-me como a minha mãe estava a desvencilhar-me. A minha mãe estava-se a desenrascar e todo esse desenrasque passou-nos para nós. (…) A minha mãe deixou de estudar quando nós nascemos. E passou aqueles primeiros anos da nossa vida e teve muito tempo connosco. Eu tive a sorte de todos os dias a minha mãe ir connosco ao Jardim da Estrela para brincarmos um bocado”.

Apesar do porto seguro que encontrava em casa e nas longas férias no Algarve, a vivência escolar revelou-se um período sombrio. Ainda confessou que tinha a perceção clara de que não se enquadrava no padrão dos restantes rapazes, preferindo refugiar-se na companhia feminina para escapar aos julgamentos: “Sabia que era diferente, não é? Sabia que preferia brincar com a minha prima e com a Madalena e com a Leonor, que eram as minhas amigas onde eu me sentia protegido. Que não era o que os outros meninos faziam. Os outros meninos gostam de jogar à bola (…) Eu não fazia isso, não gostava”.

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Com vergonha de verbalizar o sofrimento na família, guardava o segredo para tentar apagar a realidade: “Nunca se diz. Eu acho que existe um medo de que aquilo se torne um assunto real, não é? De repente vais para a escola, aquilo acontece e depois voltas para casa e não está a acontecer”.

O impacto destas agressões verbais e do isolamento deixou marcas profundas na sua saúde física e mental, que perduraram muito além da adolescência.

Vasco Pereira Coutinho descreveu as memórias de solidão e a reação corporal que desenvolveu ao deparar-se com os antigos agressores no futuro: “Podia ter sido muito mau. Porque, de facto, eu lembro-me de passar tempos sozinho, um bocado, às vezes de chorar. Porque, de facto, às vezes era pesado. Lembro-me depois, mais tarde, de ir para sítios onde supostamente já não havia (…) E lembro-me de encontrar pessoas que fazem parte dessa minha história e de eu sentir uma tensão muscular no corpo todo, de repente ficar paralisado, pensar assim, vou ser gozado outra vez, e depois assim, que estupidez, eu tenho 17 anos, isto já não acontece. (…) Eu acho que podia ter sido muito dramático se eu depois não tivesse encontrado na minha vida tanta outra coisa que me fez muito feliz, não é? E se não tivesse tido a companhia, de facto, das minhas amigas, que na altura eram as minhas amigas, e se não tivesse em casa um lugar onde eu fosse feliz. Mas não foi fácil”.

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