Virgílio Castelo foi à falência com série da TVI e dá expose: “Têm alguma dificuldade em pagar os direitos”
O ator e ex-diretor de ficção abriu o livro sobre o seu passado nos bastidores da televisão. Na CMTV, lamentou a falta de pagamento de direitos de autor do projeto que criou há mais de 20 anos.
Virgílio Castelo marcou presença no programa Olá Bom Dia, da CMTV, para uma conversa com Luciana Abreu que acabou em revelações surpreendentes sobre os bastidores da ficção nacional.
O conceituado ator, de 73 anos, abriu o livro sobre o seu vasto percurso profissional e acabou por expor um drama financeiro ligado a um dos maiores sucessos de sempre da TVI: a mítica série policial Inspetor Max, da qual foi o grande mentor, criador e produtor.
Com uma longa carreira dedicada às artes, Virgílio Castelo é um dos nomes mais incontornáveis do panorama audiovisual português. Nascido em Lisboa em 1953, o artista não se limitou ao extenso trabalho como ator no teatro, cinema e televisão.
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Desempenhou cargos de enorme relevo nas direções de canais e produtoras, sendo uma peça-chave na implementação da ficção nacional como a conhecemos hoje. Durante a entrevista, recordou exatamente essas várias facetas da sua vida: “Estava a dizer à Luciana, eu tive três fases, digamos assim, em que fiz um trabalho fora do meu trabalho de ator, ou de autor, ou de encenador, ou até mesmo de produtor.”
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Foi ao abordar o seu papel como produtor que Virgílio Castelo largou a “bomba” em direto, confessando que essa aventura ditou a sua ruína financeira, mesmo tendo nas mãos uma verdadeira galinha dos ovos de ouro. “Eu também fui produtor, e conto rapidamente esta história. Fui um produtor que foi à falência, com o maior êxito da televisão portuguesa”, começou por revelar o ator.
Sem rodeios, expôs a falta de compensação pelas infindáveis repetições do Inspetor Max (que se estreou em 2004) na grelha da estação de Queluz de Baixo. O ator apontou o dedo à relutância dos canais generalistas em remunerarem quem cria os conteúdos, mas fez questão de assumir a sua própria quota-parte de culpa por não se ter protegido legalmente: “Fui o produtor e autor do Inspector Max, que é o maior êxito sempre da televisão portuguesa, aquilo ainda hoje passa 500 vezes, e fui à falência porque geri mal a empresa, e não acautelei os direitos, e as televisões generalistas têm alguma dificuldade em pagar os direitos que os autores têm e que os produtores têm, de modo que aquilo continua a passar, e eu, há vinte e tal anos que fiz aquilo, e não vejo onde estão, e fui à falência de autor.”
Apesar do enorme dissabor que enfrentou enquanto produtor independente, Virgílio Castelo sublinhou a importância do seu contributo estrutural para as três principais estações portuguesas ao longo de várias décadas de trabalho árduo nos bastidores: “Eu fiz durante algum tempo, além de ter sido produtor, então eu fui consultor de várias televisões, no que diz respeito às novelas. Fui diretor-geral da NBP, na altura em que a TVI começou a fazer as novelas portuguesas. Depois fui consultor da SIC, numa altura em que a SIC deixou de fazer novelas brasileiras e começou a fazer as novelas portuguesas. Depois fui consultor da RTP, quando a RTP deixou de fazer telenovelas e passou a fazer séries. Dessas foram as fases em que eu estive por trás das câmaras.”