Viúva de Almeno Gonçalves recorda os últimos dias do ator: “Foi tudo muito rápido, galopante e inesperado”
Quatro meses após a morte do artista, Patrícia esteve no programa de Júlia Pinheiro para falar sobre a luta silenciosa e fulminante do marido contra um cancro no cólon.
O programa de Júlia Pinheiro na SIC recebeu Patrícia, a viúva do ator Almeno Gonçalves, para uma entrevista marcada pela emoção e pelas memórias dos últimos meses de vida do artista.
Recorde-se que o aclamado ator faleceu no dia 27 de novembro de 2025, aos 66 anos, vítima de um cancro no cólon, deixando o país e o mundo da representação de luto.
Nascido em Braga, Almeno Gonçalves construiu uma carreira vasta e invejável, passando pelo teatro, onde começou no Teatro da Comuna, pela televisão, com presenças marcantes em novelas recentes como Cacau, e pelo cinema, em filmes emblemáticos como Zona J e Um Tiro No Escuro. Mas foi o lado mais íntimo e familiar que esteve em destaque nesta conversa matinal, onde Patrícia revelou os detalhes da batalha silenciosa travada pelo marido.
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Júlia Pinheiro começou por notar o peso da palavra viúva num rosto tão jovem, questionando se Patrícia esperava este desfecho. A convidada respondeu prontamente com um longo desabafo sobre a rapidez da doença oncológica. “Não, de todo. Foi tudo muito rápido, galopante, inesperado”, confessou.
A apresentadora lembrou que a história começou em agosto do ano anterior com o que pareciam ser apenas umas indisposições. Patrícia explicou como os primeiros sintomas foram rapidamente desvalorizados. “Sim, um cansaço, muito cansado, queixava-se de dores nos ombros e não passava disto. Pronto, o que nós achamos que era normal, dado o trabalho, o stress, o costume”, relatou a viúva.
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A rapidez da evolução do cancro foi um dos pontos mais chocantes para a família, sobretudo porque Almeno Gonçalves era uma pessoa atenta e preocupada com a sua saúde. “Fez 66 em outubro, portanto, nesta altura estava com 65. O homem era altamente hipocondríaco. Preocupava-se com as coisas todas. E em julho fez umas análises, estava tudo ótimo, e depois este cansaço tornou-se assim um bocadinho esquisito e portanto, finais de setembro, ali início de outubro, estava tudo ao contrário já”, detalhou Patrícia à apresentadora.
Durante o internamento no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, o casal optou por manter a situação em segredo, longe dos olhares do público e da imprensa. Júlia questionou como foi possível viver tudo com um enorme sentido de recato, sendo Almeno um rosto tão forte e presente na memória coletiva.
A viúva confessou que nem ela sabe como conseguiram, mas enalteceu profundamente o acompanhamento que receberam por parte dos profissionais de saúde. “O São Francisco Xavier, a quem eu agradeço muito. E viva o SNS. Viva o Serviço Nacional de Saúde. Porque fomos muito bem acompanhados, a todos os níveis. Nível humano, de preocupação, não podíamos pedir melhor, mesmo”, elogiou.
A discrição em torno da doença oncológica foi uma escolha natural para o casal, que quis evitar que o mediatismo perturbasse a fase delicada que atravessavam. “Achámos que a qualquer instante isto poderia sair. Eu penso que isso teria apoquentado o homem e a família. Não era o momento, de todo. E nós sempre fomos muito reservados em relação à nossa vida. Expomos-nos pela profissão, que é uma consequência, mas de resto a história é nossa, a vida é nossa, acho que não temos que andar a dizer ao mundo”, afirmou Patrícia.
Nos últimos momentos, o casal preparou-se para o pior através de conversas que a apresentadora da SIC classificou de grande maturidade emocional. A viúva do ator revelou como geriram a fase final, mantendo sempre o otimismo e a racionalidade possíveis perante o diagnóstico. “Era uma necessidade, sempre com muita esperança de que pudéssemos dar a volta a isto. Reverter. A situação era grave, mas os médicos continuavam a dar esperança. Não se falava de uma cura, isso seria impossível. Mas passava a doença crónica. Exatamente. Com cuidados, mas teria uma vida ativa e boa”, recordou Patrícia, visivelmente emocionada com as memórias da esperança que os acompanhou até ao fim.