A apresentadora da SIC Caras recordou as dificuldades enfrentadas durante a fase terminal da sua mãe para legitimar o pedido de auxílio hospitalar.
A recente polémica em redor da mensagem enviada por Rita Ferro Rodrigues ao então Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, motivou uma tomada de posição emocionada por parte de Liliana Campos no «Passadeira Vermelha».
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A apresentadora interveio na discussão para defender a legitimidade do apelo desesperado feito em julho de 2022, quando a paciente oncológica Irina Fernandes, em fase terminal no Hospital de Santa Maria, recebeu ordem de alta a meio da noite por falta de camas.
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Ao escutar as críticas levantadas no painel relativamente ao recurso a contactos de influência política, a apresentadora contrapôs com dados sobre a realidade do país e a fragilidade do sistema público.
“Em Portugal foi feito um estudo e 76% das pessoas recorre a cunhas dentro daquilo que é o Serviço Nacional de Saúde porque infelizmente não funciona“, começou por sublinhar, antecipando um agravamento das condições hospitalares: “Se achas que em 2026 isto acontece, lamento informar-te que vai ser bem pior porque nós estamos a estourar por todos os lados“.
A apresentadora do «Passadeira Verelha» recorreu depois à sua própria vivência para ilustrar o desamparo sentido pelas famílias em momentos de agonia. “Eu por mim falo que, quando tive a minha mãe muito mal, precisava que ela entrasse com os cuidados paliativos e não tive ninguém que me ajudasse“, desabafou, reconhecendo que a existência de uma ligação direta ao Ministério da Saúde acabou por ser uma tábua de salvação compreensível perante a iminência do falecimento.
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Liliana Campos fez questão de desconstruir a ideia de que o caso representou a retirada de direitos a outros utentes, lembrando que a doente não retirou o lugar a ninguém na unidade onde estava internada, tendo sido posteriormente reencaminhada pela equipa médica para o IPO, onde viria a morrer.
A apresentadora pediu que o debate não perdesse a empatia face ao sofrimento alheio. “Criticar uma pessoa que pediu ajuda (…) acho que temos que ser humanos e perceber o que é que aquela pessoa estava a viver às portas da morte e a ter que ir para casa sem ter condições para ser tratada em casa“, apelou.
A fechar a sua perspetiva sobre a atitude da antiga colega de televisão, Liliana Campos garantiu que teria tomado a mesma iniciativa se estivesse ao seu alcance evitar um desfecho desumano. “Eu, se tivesse alguém, também tinha pedido. Infelizmente não tinha ninguém. E esta é a minha opinião, que eu também posso ter neste programa“, rematou a apresentadora da SIC Caras.