A vaga de destruição que atingiu o país levou Laurent Nuñez a colocar o cargo à disposição, mas o chefe de Estado francês exigiu a permanência do governante para assegurar a ordem pública.
A França vive dias de forte agitação social e instabilidade governativa após uma vaga de protestos ter degenerado em tumultos generalizados e pilhagens por todo o território nacional. Perante o descontrolo nas ruas e as críticas à atuação policial, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, apresentou a demissão, mas o presidente Emmanuel Macron recusou de imediato a saída do governante, ordenando-lhe que permaneça em funções para assegurar a continuidade do comando e esclarecer as falhas operacionais.
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As manifestações de sábado juntaram estudantes descontentes com o setor do ensino e cidadãos revoltados com a subida do custo de vida, congregando mais de 550 mil pessoas em várias cidades – um número largamente superior aos 200 mil participantes inicialmente estimados pelos serviços de informações. A incapacidade de conter a multidão resultou na destruição e no saque de cerca de três mil estabelecimentos comerciais, gerando prejuízos estimados em centenas de milhões de euros e motivando milhares de detenções.
Perante o cenário de destruição, Laurent Nuñez admitiu publicamente a gravidade do momento e a falta de eficácia dos meios destacados. “Sinto uma responsabilidade para com o público e, considerando os danos causados, era justo que eu apresentasse a minha demissão“, declarou à rádio France Inter, assumindo a perda de controlo perante “graves surtos de violência“.
Do Eliseu surgiu a ordem para que o governante investigue as falhas de planeamento que deixaram os agentes em desvantagem numérica no terreno.
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No plano político, a resposta do executivo foi recebida com duras críticas por parte da oposição e de antigos aliados. Édouard Philippe, antigo primeiro-ministro, lamentou a ausência de medidas práticas no discurso presidencial transmitido no domingo à noite: “Eu teria preferido, como milhões de franceses, decisões e iniciativas que permitissem o regresso à ordem“. Por sua vez, o autarca de Marselha, Benoît Payan, mostrou-se revoltado com a invasão dos Paços do Concelho e afirmou que o país acordou transformado na “vergonha da Europa“.
A crise nas ruas teve impacto imediato na economia, num momento de grande fragilidade para as contas públicas francesas.
Os títulos de dívida a dez anos sofreram uma subida nos rendimentos para os 4,9%, aumentando a distância face aos títulos alemães, enquanto a praça bolsista de Paris recuou 1,4%, com as principais instituições bancárias a acumularem perdas superiores a 2%.
Com as eleições presidenciais marcadas para daqui a seis meses e o parlamento sob tensão devido ao novo orçamento, a pressão financeira e social agrava o isolamento do executivo liderado por Emmanuel Macron.