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Álvaro Covões ataca elites políticas e avisa que a cultura em Portugal está na “cauda da Europa”

A crítica feroz do criador do NOS Alive sobre o consumo cultural em Portugal

Em conversa com Conceição Lino no podcast ‘Geração 60’, gravado no NOS Alive, o empresário criticou a falta de políticas culturais e a passividade do sistema político.

Álvaro Covões esteve à conversa com Conceição Lino numa edição especial do podcast ‘Geração 60’, gravada ao vivo no recinto do festival NOS Alive. O promotor e fundador da Everything Is New, de 63 anos, fez um diagnóstico severo sobre o panorama cultural do país e criticou a falta de rasgo das elites políticas para inverter o atraso estrutural da sociedade portuguesa.

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A política cultural em Portugal, que não tem mudado muito ao longo das décadas, não conduziu a resultados, não teve resultados positivos. Se temos dos mais baixos hábitos culturais, as políticas (…) não tiveram resultados. E quando não há resultados, há que ter coragem para mudar“, defendeu o empresário.

Álvaro Covões alertou para o estado de estagnação em que o setor se encontra: “É muito importante este contributo que damos para incentivar o consumo cultural em Portugal, que está a bater no fundo, não é? Estamos na cauda da Europa. E nós temos que aumentar os hábitos culturais (…) para que as pessoas possam um dia viver numa sociedade melhor e, eventualmente, numa sociedade sem pobreza“.

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Para o responsável pelo NOS Alive, as fragilidades da economia nacional relacionam-se diretamente com o receio de assumir riscos. “Somos um país pobre, somos dos mais pobres da Europa, porque temos uma resistência muito grande à mudança. (…) Se falhamos, há que ter coragem de mudar. Eu penso assim, nós não temos coragem. Não temos coragem de mudar, não sei porquê. Acho que há algum receio. Os políticos são muito escrutinados e têm medo de falhar“, apontou.

O empresário vincou ainda que sem consumo de cultura não é possível formar cidadãos esclarecidos. “Com baixos hábitos culturais não se desenvolve um sentido crítico“, sublinhou, lembrando que a sobrevivência do meio depende da capacidade financeira dos cidadãos: “Nós vivemos do que sobra. E por isso é que (…) preciso de uma sociedade em que de facto o poder de compra seja superior para que o dinheiro disponível seja maior e que possamos ter uma oferta cultural e um consumo cultural muito maior do que é hoje“.

Apesar das críticas ao contexto nacional, Álvaro Covões rejeita a ideia de que falte capacidade aos profissionais portugueses quando comparados com os estrangeiros. “Há uma contradição na sociedade portuguesa que nós temos profissionais com muito mais valor que noutros países em várias áreas, não é só na área cultural. Eu às vezes até me interrogo como é que em determinados países (…) eles são ricos, porque quando lidamos profissionalmente com eles nós dizemos assim: ‘mas estes tipos têm muito menos competência que um trabalhador português ou que um dirigente português’“, concluiu.

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