Cândido Pereira emite comunicado após polémica sobre cancro: “Nunca foi minha intenção desvalorizar a dor”
Depois de afirmar que "há muita virgem ofendida" e que não há mal em brincar com o cancro, o comentador justificou-se.
As declarações proferidas por Cândido Pereira na última emissão do Extra da 1.ª Companhia, onde defendeu a liberdade total do humor, incluindo piadas sobre cancro e deficiência, geraram uma onda de reações negativas nas últimas horas.
Face à controvérsia instalada, o comentador decidiu vir a público prestar um esclarecimento, contextualizando a sua opinião e pedindo desculpa a quem se possa ter sentido ferido.
A polémica surgiu na sequência de um comentário sobre a reação emotiva de Noélia Pereira a uma imitação de Manuel Melo. Na altura, Cândido criticou o “politicamente correto” e afirmou não ver problema em brincar com doenças.
Agora, através de uma nota oficial, o comentador algarvio procurou baixar o tom e explicar a sua intenção original: “Nas últimas horas, surgiram interpretações e reações a declarações minhas sobre humor e liberdade de expressão. Quero deixar claro que nunca foi minha intenção desvalorizar experiências pessoais, dor, doença ou qualquer tipo de deficiência. Muito pelo contrário: a empatia esteve sempre na base daquilo que disse.”
Cândido Pereira reforçou a sua visão do humor como um mecanismo de defesa e não de ataque, argumentando que a comédia pode servir para desconstruir tabus, embora reconheça que nem todos partilham dessa perspetiva: “A minha intervenção teve como objetivo refletir sobre o papel do humor enquanto ferramenta cultural, muitas vezes usada para lidar com temas difíceis, normalizar conversas desconfortáveis e, em certos contextos, ajudar a aliviar a carga emocional que eles transportam. Reconheço, no entanto, que o humor não é vivido da mesma forma por todas as pessoas e que diferentes experiências geram diferentes sensibilidades. Respeito isso plenamente.”
Para encerrar o assunto, o comentador lamentou o impacto negativo das suas palavras, mas defendeu a legitimidade do debate, apelando ao respeito mútuo e rejeitando ataques pessoais: “Não falei, nem falo, em nome de ninguém. Falei apenas da minha visão enquanto profissional da comunicação e cidadão, defendendo que o diálogo e a liberdade criativa devem coexistir com empatia e respeito. Se as minhas palavras causaram desconforto a alguém, lamento sinceramente esse impacto. O debate é legítimo, mas acredito que pode e deve ser feito com humanidade, sem ataques pessoais nem leituras de má-fé. Da minha parte, continuo disponível para ouvir, refletir e conversar.”