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EXCLUSIVO – Análise aos autoretratos da filha de Manuel Marques: “Conflito com corpo e identidade, observáveis em jovens expostas a violência intrafamiliar”

Oito meses depois, a sobrinha de Ana Marques continua em "ambiente ameaçador"

Muito já foi dito e escrito sobre a denúncia de Inês Marques contra o ator por violência doméstica física e psicológica. Mais uma vez, a jovem reage e manifesta-se através de desenhos nas redes sociais.

No início de 2026, Inês Marques publicou o “Top 8 coisas e cenas de 2025 e espero não ser demasiado narcisista da minha parte fazer tantos autoretratos parvos” com “o detalhe das pupilas de tamanhos diferentes”. Rabiscos que mereceram o aplauso de António Machado que faz dupla com Manuel Marques na rubrica de humor ‘Portugalex’ da rádio Antena 1.

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Maria João Cunha, Mestre em Psicologia da Educação, Desenvolvimento e Aconselhamento, acedeu ao pedido do DIOGUINHO para “ler” a arte de Inês: “Os desenhos revelam uma jovem com elevada intensidade emocional e forte autofocalização, traduzida na repetição insistente de autorretratos, na fragmentação e sobreposição de rostos e na ausência de uma imagem identitária unificada”.

A psicoterapeuta esclarece que “este padrão expressivo é compatível com um processo identitário em curso, marcado por auto-observação constante, questionamento do próprio ‘eu’ e dificuldade em integrar, de forma estável, diferentes dimensões da identidade. A ênfase reiterada nos olhos sugere hipervigilância emocional e sensibilidade acentuada ao olhar e à avaliação do outro, traço frequentemente associado a contextos relacionais percebidos como inseguros”.

Neste caso, “a denúncia de violência por parte da figura paterna constitui um elemento clinicamente relevante, enquadrando estes indicadores como respostas adaptativas a um ambiente vivido como ameaçador ou imprevisível”.

A profissional revela ainda que “o traço gráfico rápido, impulsivo e reiterado, com múltiplas correções e escassa organização espacial, aponta para tensão psíquica significativa, pensamento emocionalmente carregado e necessidade de descarga interna, funcionando o desenho como instrumento de autorregulação“.

Maria João Cunha explica que “as distorções faciais e corporais sugerem conflito com a autoimagem e dificuldade em integrar emoções, corpo e identidade, frequentemente observáveis em jovens expostas a experiências de violência intrafamiliar“.

“Globalmente, trata-se de uma produção expressiva coerente com uma personalidade sensível e criativa, em processo de elaboração de vivências traumáticas, sem que, por si só, permita estabelecer qualquer diagnóstico psicopatológico, antes revelando um esforço ativo de simbolização e reorganização do mundo interno. E ainda com sentimentos de culpa quando ela diz que espera que não a vejam como narcisista“, resume.

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