Futuro de Avatar em risco? Disney exige filmes “mais curtos e baratos” após quebra de receitas
James Cameron luta contra os custos colossais e a era do streaming
Apesar dos 1,48 mil milhões de “Fogo e Cinzas”, o estúdio ainda não deu luz verde oficial para as últimas duas sequelas da saga.
O universo de Pandora pode estar a enfrentar o seu maior desafio, e desta vez não é uma ameaça dentro do ecrã, mas sim a folha de cálculo de Hollywood e, apesar de James Cameron já ter datas reservadas para 2029 e 2031, a continuidade da saga Avatar após o quarto filme não é uma certeza absoluta.
Com a mudança de liderança na Disney – agora sob o comando de Josh D’Amaro – e resultados de bilheteira que, embora astronómicos, ficaram aquém dos recordes anteriores, o estúdio está a exigir mudanças drásticas na produção. A notícia, avançada pelo meio especializado The Wrap, levanta o véu sobre uma realidade desconfortável: para que as sequelas avancem, precisam de ser “mais baratas e mais curtas”.
O sinal de alerta soou após o desempenho de Avatar: Fogo e Cinzas no último inverno: O filme arrecadou 1,48 mil milhões de dólares mundialmente – um valor que seria um sucesso histórico para qualquer outra produção, mas que na balança de Cameron soube a pouco. Pela primeira vez, a saga perdeu a liderança interna do estúdio para Zootrópolis 2, que atingiu os 1,86 mil milhões.
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A matemática é implacável: do primeiro filme (2,9 mil milhões) para o terceiro, houve uma queda significativa e Cameron justifica esta erosão com a perda de 30% a 35% do público para o streaming e o impacto residual da pandemia, num mercado onde filmes com quase três horas e meia limitam o número de sessões diárias nos cinemas.
Apesar da falta de “luz verde” oficial, a equipa de produção continua a trabalhar a todo o vapor e James Cameron, conhecido pela sua determinação férrea, terá abandonado outros projetos paralelos para se dedicar exclusivamente à conclusão da saga. Segundo fontes próximas do cineasta, este foco total é uma resposta direta aos números do último inverno “Se ‘Fogo e Cinzas’ tivesse arrecadado 2 mil milhões, Cameron poderia ter-se envolvido noutro projeto. Em vez disso, está focado em concluir os filmes quatro e cinco. Desta vez, vejo-o numa missão”, revelou uma fonte da equipa ao The Wrap.
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Dentro da equipa de Avatar, a frustração com a narrativa de “insucesso” é visível e fontes ligadas à produção lembram que a trilogia já arrecadou um total de 6,7 mil milhões de dólares, mantendo uma média superior a 2 mil milhões por filme “As pessoas estão a agir como se o filme fosse um fracasso comercial… Não há garantia de que todos os filmes vão arrecadar dois mil milhões“, desabafou um elemento da produção.
O trunfo de Cameron para convencer a Disney reside no facto de já ter filmado cerca de 22% do quarto capítulo durante a produção de Fogo e Cinzas, o que reduz significativamente o investimento inicial necessário. Agora, o mestre do cinema de espetáculo terá de provar que consegue entregar a mesma magia de Pandora com um orçamento mais contido e uma narrativa mais ágil. Como dizem os veteranos da indústria: “Nunca apostem contra James Cameron.”
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