
Afastado das grandes produções de Hollywood devido aos litígios judiciais com a ex-mulher, o artista partilhou os pormenores do novo projeto.
Johnny Depp mantém-se afastado dos holofotes da indústria cinematográfica americana pois, o ator, que celebrizou figuras excêntricas no cinema ao longo das décadas de 1990 e 2000, deixou de ser uma prioridade para os grandes estúdios após os processos judiciais que o envolveram num longo litígio com a ex-mulher, Amber Heard e, depois de vencer a ação de difamação, o artista escolheu a Europa como refúgio criativo.
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Quase trinta anos depois da sua primeira experiência atrás das câmaras com o filme O Bravo, o realizador regressa com Modi: Três Dias na Asa da Loucura. A obra, que aborda o percurso do pintor italiano Amadeo Modigliani, chega agora ao circuito de exibição e, em declarações prestadas por correio eletrónico, o profissional optou por não responder às questões relacionadas com Hollywood, mantendo a postura assumida anteriormente no Festival de Cannes, onde afirmou que “não precisava nem ligava mais” para o mercado norte-americano.
O projeto ganhou forma através de um convite direto do seu amigo Al Pacino, que também integra o elenco e, Johnny Depp explicou a forte ligação emocional que desenvolveu com a figura do pintor e o simbolismo da sua irreverência artística perante as adversidades da época. “Modigliani sempre representou algo que ressoava profundamente em mim. Ele viveu numa era em que novas possibilidades ainda existiam, quando artistas podiam desafiar convenções, quando as regras estavam sendo reescritas“, partilhou o realizador.
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A narrativa acompanha três dias da rotina de Modigliani em Paris, num cenário marcado pelas dificuldades financeiras e pela efervescência da Primeira Guerra Mundial. A interpretação do protagonista, a cargo de Riccardo Scammarcio, adota trejeitos que remetem para o universo interpretativo do próprio realizador.
Johnny Depp sublinhou que procurou evitar o dramatismo excessivo na película: “A irreverência é o maior presente de todos. Se você não rir, vai chorar, então é melhor dar risada. […] Eu não queria afundar [o filme] em dor e autopiedade, já existe demais disso no mundo“.
Para além desta produção, o circuito de cinema italiano reserva outros destaques baseados em factos verídicos e, é o caso de Fuori, de Mario Martone, que retrata a vivência da escritora Goliarda Sapienza, e do documentário Irmãos Segreto, focado nos pioneiros da cinematografia no Brasil. A programação inclui ainda a longa-metragem O Menino da Calça Rosa, que aborda o impacto do cyberbullying e da homofobia através do trágico caso de Andrea Spezzacatena, ocorrido em 2012.
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