A entrevista de Luíza Abreu ao programa Júlia, na SIC, nesta terça-feira, 10 de março de 2026, ficou marcada por relatos impressionantes de uma infância assombrada pela violência doméstica.
A viver um momento de grande felicidade à espera da primeira filha, a irmã de Luciana Abreu não teve problemas em mergulhar num passado de terror provocado pelo vício e pela agressividade do pai.
Questionada por Júlia Pinheiro sobre as recordações dessa fase conturbada, Luíza garantiu que a memória daqueles dias a ajuda a valorizar o sacrifício da mãe, descrevendo os episódios de violência que presenciou :”Tem recordações muito presentes disso? Tenho, tenho. Lembro-me de tudo. Acho que é esse um dos dons que Deus me deu, de facto. É a memória. Porque é a memória que me faz ter a certeza absoluta da extraordinária mãe que tenho. (…) da polícia o procurar, não é? Sim. Os vizinhos ouviam os barulhos. Às vezes chamavam a polícia, outras vezes também ficavam reticentes.”
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O momento de rutura definitiva da família aconteceu num dia que devia ser de festa. Luíza Abreu recordou a noite em que completava oito anos de idade e aguardava o bolo com a cara de um palhaço encomendado pela mãe. A celebração nunca chegou a acontecer: “Acontece que quando chega o momento de cantarmos os parabéns, os parabéns não acontecem. É tudo destruído. (…) Portanto, neste caso, de 26 para 27 de setembro, à meia-noite. E não aconteceu. Foi tudo destruído e é nessa mesma noite que vamos embora para nunca mais voltar.”
A fuga de casa marcou o início de uma nova saga de terror, pautada por perseguições constantes que obrigaram a família a mudar de residência mais de 20 vezes para escapar ao agressor. O medo estendia-se também ao ambiente escolar, com a convidada a revelar as medidas drásticas de segurança que as instituições tinham de adotar: “O porteiro, ia dizer funcionário, o porteiro da escola, tinha com ele sempre uma fotografia para que soubesse quem era a pessoa e não permitir a passagem. (…) A qualquer momento, na esquina, podia haver uma situação? Sim. Mas no meio de tudo isto, Julia, deixo-me enaltecer a minha mãe. Claro, a sua mãe! Porque, de facto, amor nunca nos faltou.”
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Os anos que se seguiram foram passados a repetir o trauma nos corredores dos tribunais, onde Luíza, ainda criança, teve de testemunhar contra o pai. O pesadelo prolongou-se até à vida adulta, culminando num processo por difamação que o pai interpôs contra a filha quando esta já tinha 31 anos de idade, e que a obrigou a regressar a tribunal e a reviver a dor, saindo, no entanto, vitoriosa do processo.