Manuel Melo recorda luta brutal contra a toxicodependência: “A minha cabeça rebentou”
O repórter e cantor revela que escondeu a gravidade dos consumos nas primeiras consultas. Hoje, sóbrio e em recuperação, usa a sua história para mostrar às famílias que "há saída" do fundo do poço.
Para a maioria dos portugueses, Manuel Melo é sinónimo de festa, música popular e gargalhadas, uma imagem construída ao longo de anos como o inesquecível “Girafa” da novela “Saber Amar” ou como o repórter incansável do “Somos Portugal”.
No entanto, por detrás das câmaras e do sorriso fácil, o ator de 44 anos escondeu durante muito tempo uma realidade dramática, marcada por uma espiral de autodestruição que o levou ao limite das suas forças físicas e mentais.
Num testemunho corajoso, Manuel Melo em tempos decidiu quebrar o silêncio sobre o período mais negro da sua vida, onde a falta de trabalho e um vazio interior o empurraram para o consumo excessivo de álcool e drogas.
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“Fui a sítios muito escuros, a minha cabeça não aguentou, rebentou, e andei ali um ano, que foi o pior da minha vida, a tentar perceber se descarrilava ou voltava para trás”, confessou o apresentador/cantor, admitindo que teve a sorte de conseguir inverter a marcha antes que fosse tarde demais.
O processo de recuperação não foi, contudo, imediato nem linear, e começou com uma mentira por amor. Nas primeiras consultas de psiquiatria, Manuel não teve coragem de assumir a dimensão real do problema perante o pai, que o acompanhava: “Não digo os consumos, só mais ou menos, e não eram mais ou menos. Se calhar eram exagerados. Só que, com o pai ao lado, retraí-me um bocadinho para não assustar”, revelou.
Essa omissão fez com que, inicialmente, os médicos tratassem o caso como um surto psicológico, ignorando a gravidade da adição, o que acabou por conduzir a um internamento inevitável numa clínica especializada.
Hoje, 15 anos depois, Manuel Melo encara a sobriedade como uma batalha diária e inegociável, onde não há espaço para concessões ou facilidades: “Cá estou, 15 anos depois continuo em recuperação. Não bebo álcool, não me podem pôr álcool à frente. É a pior coisa que me podem fazer”, afirmou perentoriamente.
Para o ator, o risco de uma recaída é algo que não afeta apenas a sua vida, mas também a estabilidade da sua família, em especial do seu filho: “Põem em risco a minha saúde, põem em risco a saúde do meu filho. E isso eu não admito”, garantiu, mostrando a determinação de quem sabe que o abismo está sempre à espreita.
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Manuel Melo assume, sem problemas, que continua medicado com “dois comprimidos” diários para manter o equilíbrio, encarando a sua história não como uma vergonha, mas como uma ferramenta de esperança para outros: “Um dos meus objetivos era abrir um bocadinho esse episódio, porque das coisas que mais felicidade me traz é receber mensagens de uma família a perceberem que há saída”, explicou.
Apesar da vitória sobre o vício, o repórter da TVI não esquece as cicatrizes que ficaram nos que lhe são próximos: “A culpa que fica é sempre aquilo que os que gostam de nós passaram”, rematou.