Mickaël de Oliveira recorreu às redes sociais esta quinta-feira, 15 de outubro, para denunciar agressões policiais a manifestantes pelo direito à habitação no centro do Porto.
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O dramaturgo, encenador e investigador partilhou registos visuais dos ferimentos e revelou que uma pessoa próxima foi atingida: “Ontem, às 5h da manhã, um familiar meu chegou à nossa casa com várias feridas, algumas preocupantes“.
O caso terá decorrido na madrugada de quarta-feira, 14 de outubro, em plena baixa portuense. Indignado, Mickaël contextualizou a sua ligação à cidade: “Enquanto cidadão, morador no Porto e artista que trabalha nesta cidade, sinto-me profundamente indignado e envergonhado com o que aconteceu nessa madrugada na Praça D. João I, frente ao Teatro Rivoli. Dezenas de manifestantes que dormiam nas tendas de protesto foram violentamente agredidos pelos cães dos governos: o Corpo de Intervenção da PSP“.
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Segundo o encenador, o uso da força apanhou pessoas desprotegidas: “Houve pessoas espancadas. Jovens, menores, mulheres, pessoas com deficiência, sem-abrigo. O que existiu ontem não foi cultura democrática. Foi violência gratuita“. Lembrou também que protestos idênticos não tiveram o mesmo desfecho noutras geografias: “Já houve acampadas no mundo inteiro, ainda recentemente em Espanha, e nada de semelhante aconteceu“.
O dramaturgo visou diretamente Pedro Duarte: “Se Pedro Duarte tem problemas com a ‘limpeza’ do espaço público, devia ter sido político alemão na década de 30. Talvez tivesse mais sorte. Devia ter vergonha quem diz que a polícia foi ‘obrigada a intervir’. Obrigada a intervir contra pessoas que dormiam nas suas tendas às 3h da manhã, e que propuseram retirar a acampada a essa hora para evitar confrontos? Quem espalha esta informação falsa, com tanta estupidez e leviandade, devia responder em tribunal“.
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A liberdade de expressão e a lei fundamental estiveram no centro das suas críticas. “As pessoas podem manifestar-se livremente, como consagra a Constituição. Ninguém autoriza uma manifestação. Quem acha o contrário desconhece o sentido da palavra democracia“, sublinhou.
O artista alargou o descontentamento ao Governo e à cobertura noticiosa: “Estou chocado com a falta de cultura democrática dos nossos dirigentes e envergonhado com as palavras de Pedro Duarte, de Montenegro e de parte da comunicação social. Isto não é uma questão de egoísmo. As palavras de Montenegro revelam uma grande imaturidade discursiva e uma enorme falta de sentido democrático, pouco dignas das funções que ocupa“.
A terminar, exigiu consequências políticas e apelou à mobilização cívica: “Pedro Duarte devia ter vergonha e demitir-se. Estendo o convite a todo o executivo que compactua com esta violência e peço à oposição que reaja, no Porto e no Governo central. Que Pedro Duarte fique isolado no seu esterco moral, longe desta bela cidade e da sua história de cidade livre. Vivemos em democracia e vamos usá-la para proteger as nossas famílias e os direitos que a nossa Constituição nos dá, e que estes acontecimentos nos retiram. Que tenham vergonha também todos os que apoiam e votam neste tipo de políticos. Hoje, às 19h, há um encontro na mesma praça. Que venham todos os democratas e amigos da liberdade“.
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