A poucos dias de abandonar o Palácio de Belém e passar o testemunho da Presidência da República a António José Seguro, a SIC decidiu homenagear os dez anos de mandato de Marcelo Rebelo de Sousa retransmitindo a sua passagem pelo formato Alta Definição.
Na entrevista intimista concedida a Daniel Oliveira em 2019, o ainda chefe de Estado abriu o livro da sua vida pessoal e recordou de forma emocionada a morte do seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, que partiu a 1 de dezembro de 2002 aos 81 anos.
Tornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google
O também professor universitário recuou até à véspera do trágico acontecimento, revelando que os dois mantiveram contacto até ao último suspiro, durante uma viagem atribulada a partir da zona do Luso: “No dia 30 de novembro [de 2002], eu tinha sido feito Confrade dos Vinhos da Bairrada, no Grande Hotel de Buçaco, e depois não tinha transportes para Lisboa. E tinha sido o Correio da Manhã a fazer uma reportagem lá, tinha ido toda a equipa num carro muito pequenino, muito pequenino – a jornalista, o fotógrafo, o motorista, eu”.
Leia também: Sara e Tiago em guerra aberta após o Especial da TVI: “Foste extremamente agressivo”
A viagem pela madrugada dentro, num veículo apertado, foi pautada pela preocupação constante do progenitor, gerando uma memória que Marcelo guarda com carinho e dor: “Partimos às tantas da manhã e eu ia telefonando ao meu pai, porque ele estava preocupado como é que eu chegaria a casa, e foi passada a madrugada nisso… E o meu pai morreu no dia seguinte de manhãzinha, o que significa que eu falei com ele até quatro ou cinco horas antes dele morrer”.

Leia também: Sara expõe investidas de Hugo na cama e arrasa tática do concorrente: “Conversa de bandidinho”
No decorrer da conversa com o Diretor de Programas da estação televisiva de Paço de Arcos, Marcelo confessou que já vivia com a sombra da morte do pai há algum tempo, recordando um episódio traumático ocorrido na sede do seu partido, onde presenciou uma reanimação de emergência: “Já tinha presenciado uma vez, estava no PSD. Isso acho que me impressionou muito. Um dia estava no partido e chamaram-me, o meu pai estava muito mal e não conseguiam reanimá-lo e teve de ser com choques elétricos, no quarto, com vários cardiologistas amigos a assistir, eu também assisti”.
Aquele susto mudou por completo as prioridades do político português. Consciente de que o relógio não jogava a seu favor, o futuro Presidente da República tomou a decisão drástica de se afastar da liderança partidária para aproveitar os últimos anos ao lado do pai, sublinhando que não se arrepende minimamente da escolha: “Marcou-me muito porque eu já tinha tido a ideia que me levou a escrever a fotobiografia do meu pai, que é fazer a homenagem em vida, e passar com ele o máximo de tempo possível, num tempo que eu sabia que era curto, [e] passei a ter mais essa obsessão. O tempo é curto, e aproveitei aqueles últimos três anos. Nisso, ainda bem que saí da liderança do partido porque se estivesse lá não tinha sido possível”.