Nelson Évora, o quarto campeão olímpico da história de Portugal, encerrou a sua brilhante carreira no triplo salto na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, com um salto simbólico de 16,72 metros no Estádio Universitário de Lisboa.
Aos 42 anos, o atleta pôs fim a mais de duas décadas de competição, apenas duas semanas depois de conquistar o seu 13.º título de campeão nacional.
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O derradeiro título nacional, alcançado em 25 de julho de 2026, com um salto de 16,03 metros, representou o regresso de Nelson Évora à competição oficial após três anos de paragem. Em declarações aos jornalistas, confessou que a decisão de voltar não visava novos troféus, mas sim “reencontrar a alegria de saltar”. O esforço físico exigido aos 42 anos pesou na decisão final, mas o atleta garantiu sentir-se “feliz e completo”.
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Nascido na Costa do Marfim, Nelson Évora chegou a Portugal aos seis anos, fixando raízes em Odivelas. Foi ali que João Ganço, seu vizinho e professor de Educação Física, o descobriu e o impulsionou para o atletismo, levando-o às suas maiores conquistas: o ouro olímpico e mundial. Aos 11 anos, Évora já treinava no Benfica, destacando-se tanto no salto em comprimento quanto no triplo salto, modalidade em que se concentrou a partir de 2004.
A Federação Portuguesa de Atletismo, atenta ao seu enorme potencial, tratou da sua naturalização em 2002, permitindo-lhe representar Portugal. Em 2006, aos 22 anos, superou pela primeira vez a barreira dos 17 metros, com 17,19 metros, e sucedeu a Carlos Calado como recordista nacional do triplo salto.
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O salto para a ribalta internacional aconteceu nos Mundiais de Osaka, Japão, em 2007, quando conquistou a medalha de ouro com 17,74 metros. Este foi o seu melhor desempenho de sempre e um recorde português que perdurou por mais de uma década. O ponto alto da carreira viria no ano seguinte, em Pequim 2008, com o título olímpico e um salto de 17,67 metros. Um ano depois, em Berlim 2009, foi vice-campeão mundial com 17,55 metros.
Os anos seguintes foram desafiantes, marcados por lesões graves em 2010, 2011, 2012 e 2014, incluindo fraturas na tíbia e problemas no joelho que exigiram artroscopia. Apesar dos hiatos competitivos, Nelson Évora demonstrou uma resiliência notável, regressando sempre aos grandes palcos. Em 2015, voltou em força, sagrando-se campeão europeu em pista coberta, em Praga, e conquistando o bronze nos Mundiais ao ar livre, em Pequim.
Após os Jogos Olímpicos do Rio 2016, onde ficou em sexto lugar, Évora decidiu mudar de ares. Deixou o Benfica e o treinador João Ganço, rumando ao Sporting e fixando-se em Madrid, para integrar o grupo de treino do cubano Iván Pedroso, uma lenda do salto em comprimento. A mudança deu nova vida à sua carreira, resultando em mais sucessos.
Em 2017, renovou o título europeu em pista coberta, em Belgrado, e conseguiu nova medalha de bronze no Mundial de Londres. Seguiu-se um terceiro lugar e um novo recorde nacional em pista coberta (17,40 metros) nos Mundiais de Birmingham em 2018. Nesse mesmo ano, conquistou o ouro europeu ao ar livre em Berlim, com 17,10 metros, o único título que lhe faltava.
Já perto dos 35 anos, em Glasgow 2019, foi vice-campeão da Europa em pista coberta, com 17,11 metros. Contudo, a sua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (realizados em 2021) não correu como esperado. Aos 37 anos e três meses após uma operação ao joelho esquerdo, ficou-se pelos 15,39 metros e dois saltos nulos, falhando a qualificação para a final. Esta foi a sua quarta participação olímpica, depois do ouro em Pequim 2008, do 40.º lugar em Atenas 2004 e do sexto no Rio 2016.
Nelson Évora despede-se das pistas como um dos atletas mais condecorados de Portugal, com um legado de superação e dedicação. O seu recorde nacional de 17,74 metros foi superado por Pedro Pichardo, que em 11 de junho de 2024, nos Europeus de Atletismo em Roma, estabeleceu a nova marca de 18,04 metros, onde conquistou a medalha de prata.