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Pedro Abrunhosa condena carga policial no Porto e arrasa décadas de negligência

Revolta na Invicta: Pedro Abrunhosa e Capicua criticam atuação policial contra manifestantes pela habitação

Apontando o dedo aos sucessivos governos pelo incumprimento da Constituição, o artista defendeu a legitimidade do protesto que terminou com dezenas de feridos.

Pedro Abrunhosa veio a público condenar a intervenção policial ocorrida na madrugada desta quinta-feira contra o acampamento pelo direito à habitação, instalado na Praça D. João I, no Porto. O músico defendeu que a abertura de um canal de comunicação entre a autarquia, as autoridades e os cidadãos teria travado a escalada de violência, aproveitando para apontar o dedo a “décadas de negligência” por parte dos sucessivos executivos governamentais.

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Através de uma tomada de posição divulgada nas suas plataformas digitais, o artista sublinhou a importância da concertação institucional perante a crise. “Estabelecer um caminho de diálogo entre representantes da CMP [Câmara Municipal do Porto], das polícias e dos manifestantes, tornando-o bem visível aos olhos de todos, teria sido, a meu ver, muito mais significativo para a comunidade, para a cidade e um sinal muito mais positivo para o país“, escreveu.

Com um historial de forte participação cívica na cidade, recordado desde logo pela defesa do Coliseu do Porto em 1995, o cantor ressalvou que a conversa “não resolveria ali a crise instalada na habitação, mas resolver-se-ia a crise da ocupação do espaço público, evitando-se a escalada“. Para o compositor, invocar infrações legais para validar a atuação das forças de segurança na última madrugada “é abrir o flanco sobre o longo incumprimento constitucional e reduzir o assunto à mera escala da ordem pública“.

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O autor aprofundou a crítica ao poder político, lembrando que as falhas continuadas do Estado “no cumprimento da Constituição sobre o Direito a uma Habitação condigna não poderiam deixar de resultar num massivo e legítimo descontentamento social“. Na sua ótica, quando as instituições falham perante os cidadãos e não restam outras vias de protesto, “o espaço público é o local para reivindicar que a Lei se cumpra“.

Qualificando a falta de teto como “um drama inominável que afeta sobretudo os mais jovens, os vulneráveis e os idosos, e que merece ser tratado com toda a seriedade na esfera pública“, Pedro Abrunhosa destacou o impacto visual das tendas montadas na Baixa portuense. “Um acampamento urbano pode ser um incómodo, um acontecimento indesejado, mas é precisamente esse o poder simbólico do mesmo“, frisou, acrescentando que a iniciativa “não resolve a coisa, apenas a nomeia” e que “nem uma coisa nem outra faz uma carga policial“.

A rapper Capicua também se associou à onda de solidariedade com os manifestantes, repudiando a operação da PSP: “Desrespeito, é uma traição“.

Os confrontos na Praça D. João I, onde o protesto decorria desde sábado, resultaram em 37 feridos, dois dos quais em estado grave, de acordo com os dados avançados pelo Movimento pela Habitação. Em sua defesa, a PSP argumentou que as concentrações na via pública têm como limite horário as 00h30 e garantiu que houve “comportamentos de resistência” por parte dos presentes. O presidente da autarquia portuense, Pedro Duarte, secundou esta visão, afirmando que a polícia se viu “forçada” a agir.

No plano partidário, a operação motivou fortes críticas da oposição. Os vereadores do PS na Câmara do Porto lamentaram a “violência desproporcional usada contra uma manifestação pacífica“, enquanto o grupo municipal do Livre classificou a força empregue como “inaceitável”.

Já o deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, exigiu explicações ao Ministério da Administração Interna sobre a autoria da ordem de dispersão durante a madrugada, ao passo que o PCP apelidou a ação policial de “desproporcional e incompreensível“, condenando igualmente as declarações “provocatórias e irresponsáveis” do primeiro-ministro sobre o caso.

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